O blog Letras Despidas foi fundado no dia 8 de julho de 2006 pelos antigos amigos Adriano e Bia. Ambos procuravam discutir sobre vários temas, de arte à política, passando por ciência e filosofia.
Hoje vi uma mulher morta na rua. Bem vestida, loira, aparentava ser da classe média. Passei rápido com o carro, então não vi detalhes: ainda bem! Já havia visto alguns motoqueiros atropelados, mas é a primeira vez que vejo alguém caído no chão com um tiro no coração.
O local? Entre os cem metros que separam meu condomínio do shopping que fica ao lado.
Isso fez-me pensar como a violência está explícita hoje em dia. Uma pessoa com seus planos, seus sonhos, sua família, suas idéias e tudo mais que ela possui acaba, por causa de uma pequena escolha errada.
O cenário mundial: vítimas da violência morrendo todos os dias, vítimas do sistema assassinando todos os dias. E a solução é consertar o problema histórico que não possui solução direta: a desigualdade social. Esta é a maior marca social do Brasil. A desigualdade social é responsável por grande parte dos outros problemas. E, assim como causa muitas coisas, é produto de outras inúmeras.
Não há maneira de atacar essa grande raiz problemática, mas um conjunto de fatores já fariam diferença: educação de qualidade, mais emprego, desconcentração de renda, distribuição de terras, fim do preconceito (utopia, não?), leis que sejam cumpridas, acesso ao "mundo" social...
Não só com o assistencialismo, que deve ser visto como algo exclusivamente temporário, mas ajeitando o Brasil, não no sentido de melhorar tudo em quatro anos ou fazer crescer rapidamente, mas encaminha-lo. Tentar resolver pelo menos os velhos problemas já seria um bom caminho.
A segurança acaba sendo vista como a solução, pelo menos àqueles que têm acesso a ela. Na verdade, a segurança não passa de uma ferramenta que faz com que você se exclua entre os excluídos. Uma maneira de se fechar: o paradoxo do aprisionamento buscando a liberdade. Mas com a violência explícita, a segurança é vista como uma salvação.
10.11.06
Violência Explícita
Hoje vi uma mulher morta na rua. Bem vestida, loira, aparentava ser da classe média. Passei rápido com o carro, então não vi detalhes: ainda bem! Já havia visto alguns motoqueiros atropelados, mas é a primeira vez que vejo alguém caído no chão com um tiro no coração.O local? Entre os cem metros que separam meu condomínio do shopping que fica ao lado.
Isso fez-me pensar como a violência está explícita hoje em dia. Uma pessoa com seus planos, seus sonhos, sua família, suas idéias e tudo mais que ela possui acaba, por causa de uma pequena escolha errada.
Não há maneira de atacar essa grande raiz problemática, mas um conjunto de fatores já fariam diferença: educação de qualidade, mais emprego, desconcentração de renda, distribuição de terras, fim do preconceito (utopia, não?), leis que sejam cumpridas, acesso ao "mundo" social...
Não só com o assistencialismo, que deve ser visto como algo exclusivamente temporário, mas ajeitando o Brasil, não no sentido de melhorar tudo em quatro anos ou fazer crescer rapidamente, mas encaminha-lo. Tentar resolver pelo menos os velhos problemas já seria um bom caminho.
A segurança acaba sendo vista como a solução, pelo menos àqueles que têm acesso a ela. Na verdade, a segurança não passa de uma ferramenta que faz com que você se exclua entre os excluídos. Uma maneira de se fechar: o paradoxo do aprisionamento buscando a liberdade. Mas com a violência explícita, a segurança é vista como uma salvação.
Postado por Adriano
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