O blog Letras Despidas foi fundado no dia 8 de julho de 2006 pelos antigos amigos Adriano e Bia. Ambos procuravam discutir sobre vários temas, de arte à política, passando por ciência e filosofia.
Vou colocar um texto aqui que a Ana Carolina lê em vários shows e até inclui no seu CD. O texto é de autoria da Elisa Lucinda. Foi escrito no ano passado, mas o problema contextualizado ainda permanece.
Só de sacanagem
Meu coração está aos pulos; Quantas vezes minha esperança será posta à prova? Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo duramente para educar os meninos mais pobres que eu, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva o lápis do coleguinha”, “Esse apontador não é seu, minha filhinha”.
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha ouvido falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba” e eu vou dizer: Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau. Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”. Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!
É isso aí! Adoro esse texto. Retrata bem o que vivemos atualmente: a falta de ética dominando vários setores e pessoas, o caráter maleável, os valores indo pro saco de lixo. Muito bacana o jeito que a Elisa colocou suas idéias, escritas num texto em prosa, porém com muitos recursos poéticos, como rimas que, apesar de muitas serem pobres, não desmerecem o valor do texto, rico em idéias e com a comunicação forte e explícita. Não há muito que discursar sobre este texto: ele fala por si só (seria uma grande embromação), mas, para finalizar, a autora diz que vai sacanear. Para causar algum impacto nesses corruptos deveriam no mínimo prende-los, afinal, eles atuam às escondidas e sabem muito bem da sujeira que existe sob o tapete. Para eles, é necessário muito mais que um mero “sacanear”, pois sacanagem pouca são cócegas.
26.09.06
Sacanagem pouca são cócegas
Vou colocar um texto aqui que a Ana Carolina lê em vários shows e até inclui no seu CD. O texto é de autoria da Elisa Lucinda. Foi escrito no ano passado, mas o problema contextualizado ainda permanece.Só de sacanagem
Meu coração está aos pulos;
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar,
malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro,
do meu dinheiro, que reservo duramente para educar
os meninos mais pobres que eu, para cuidar
gratuitamente da saúde deles e dos seus pais,
esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz,
mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva o lápis do coleguinha”, “Esse apontador não é seu, minha filhinha”.
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha ouvido falar
e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste:
esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo,
com a velha e fiel fé do meu povo sofrido,
então agora eu vou sacanear:
mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba” e eu vou dizer:
Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez.
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram?
IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo, mas, se a gente quiser,
vai dar para mudar o final!
É isso aí! Adoro esse texto. Retrata bem o que vivemos atualmente: a falta de ética dominando vários setores e pessoas, o caráter maleável, os valores indo pro saco de lixo. Muito bacana o jeito que a Elisa colocou suas idéias, escritas num texto em prosa, porém com muitos recursos poéticos, como rimas que, apesar de muitas serem pobres, não desmerecem o valor do texto, rico em idéias e com a comunicação forte e explícita. Não há muito que discursar sobre este texto: ele fala por si só (seria uma grande embromação), mas, para finalizar, a autora diz que vai sacanear. Para causar algum impacto nesses corruptos deveriam no mínimo prende-los, afinal, eles atuam às escondidas e sabem muito bem da sujeira que existe sob o tapete. Para eles, é necessário muito mais que um mero “sacanear”, pois sacanagem pouca são cócegas.
Postado por Adriano
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