O blog Letras Despidas foi fundado no dia 8 de julho de 2006 pelos antigos amigos Adriano e Bia. Ambos procuravam discutir sobre vários temas, de arte à política, passando por ciência e filosofia.
08.01.07

17:11:25, TERRA_CATEGORIES:
Blog. TERRA_POSTED_BY letrasdespidas
Mais ou menos aniversário
Olá a todos!
Hoje, dia 8 de janeiro, o Letras Despidas completa 6 meses de vida. Ou seja, ele foi inaugurado no dia 8 de julho (porque estávamos de férias e a Bia estava no Brasil quando discutimos a idéia de criar um blog). E aí está ele, fez o seu primeiro semestre e vai aos poucos crescendo.
Segundo a última contagem, ele contém cerca de 70 posts! Já dá até para formar um livro. Pois é, foi o que eu fiz, imprimi os posts e os encadernei. Calma, não é egocentrismo, é saudosismo mesmo.
Abraços a todos e esperamos que o Letras viva por muito mais tempo!
Postado por Adriano
04.01.07

15:40:55, TERRA_CATEGORIES:
Social. TERRA_POSTED_BY letrasdespidas
Desigualdade Persistente: parte II
(a parte I está abaixo deste post)
Os índios não conseguem mais viver de forma tradicional, sofrendo com invasões de latifundiários, garimpeiros, trabalhadores sem-terra e tantos outros que assim como os indígenas desejam terra para si, seja para plantar, minerar ou cultivar sua cultura. Conflitos como esses tornam-se mais vorazes quando existe uma lei não cumprida que deveria resguardar os direitos coletivos e individuais de cada grupo.
Já os negros almejam uma vida no mesmo ambiente que os brancos, porém não conseguem isto por causa da grande discriminação que sofrem, gerando violência que, direta ou indiretamente, afeta a todos: brancos, governo e inclusive aos próprios negros. As figuras do bandido, do traficante e do saqueador, além de terem o crime em comum, são normalmente atribuídas aos negros. Os crimes de agressão física, como homicídio, cometidos por eles são mostrados com maior destaque nos meios de comunicação, em relação aos brancos.
De que adianta ser a terra das misturas étnicas quando grande parte destas são excluídas e desrespeitadas? O Brasil não consegue conciliar interesses e muitos menos amenizar as brigas, pois as soluções que atacariam na raiz do problema, como proteção ao índio e diminuição da concentração de renda, são muito mais difíceis de serem postas em prática, optando por soluções superficiais, como assentar os indígenas em terras à mercê de invasores, implementar política de cotas para as universidades e aumentar o número de seguranças em determinados locais visitados pela elite.
De certa forma, todos sofremos com isso, não há vilão ou mocinho. O que faz um se sobressair não é a bondade de uns ou a maldade de outros, mas o sistema, a história e a sociedade que distinguem quem será pobre, quem será excluído, quem será marginalizado etc. Sofremos as conseqüências das atitudes discriminatórias dos detentores do poder: maiores responsáveis por mudanças significativas, sobrando a nós, população, unir-se em prol de todos, porém, os conflitos acontecem entre nós mesmos, pois não há unidade entre o povo quando um sujeito é rico e o outro é marginal. Etnias fragmentadas vítimas de variadas formas de violência: talvez seja isso que possa resumir a tal da diversidade cultural brasileira.
Se continuarmos assim, eternamente assistiremos às cenas de índios sendo queimados, ataques de crimes organizados e outros acontecimentos que insistimos em tachá-los com a velha idéia maniqueísta. A solução proposta não é unificar toda a cultura nacional, cuja tentativa apenas amplificaria as discórdias, mas fornecer o mínimo para uma vida digna: se os índios querem espaço, deixem que eles apliquem seu desenvolvimento sustentável; se os negros querem oportunidades de emprego, então punem aqueles que podem oferecer mas não o fazem por preconceito.
O passo inicial para uma evolução gradativa rumo ao fim das desigualdades sociais, culturais e étnicas é o respeito e tolerância, uma vez que cada etnia vive no seu tempo, no seu estilo, mas são obrigados a, de uma maneira ou de outra, adaptarem-se a um padrão adotado pela maioria. Tornar isso realidade é ao mesmo tempo um desafio e um grande avanço. Quem sabe assim poderemos mudar o que nos resume como país da miscigenação para algo como: diversas etnias vivendo a seu modo, porém em perfeita harmonia.
Postado por Adriano
03.01.07

17:17:17, TERRA_CATEGORIES:
Social. TERRA_POSTED_BY letrasdespidas
Desigualdade Persistente: parte I
Desde a história nacional como a conhecemos, nosso país sempre foi marcado por miscigenações. Índios nativos, negros africanos, brancos europeus e outras etnias fizerem do Brasil um país no qual torna-se impossível a tarefa de definir quem é a verdadeira identidade brasileira. Todavia, mesmo com as mestiçagens genéticas e culturais, como nosso povo ainda não conseguiu aprender a conviver com as diferenças?
Estudos indicam que a população indígena está em crescimento, após vários séculos de redução. A princípio, essa notícia parece agradável, uma vez que demonstra a sobrevivência dos índios perante toda a “evolução” humana, porém, ao se observar o contexto em que eles se inserem, há um triste fato: como eles vão conseguir se adaptar a um Brasil praticamente dominado pela cultura ocidental? Como conseguirão terra para a sua vida original diante de tantas florestas destruídas para a prática da agricultura?
A Constituição indica que deve haver uma “preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e à sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições”. Infelizmente as leis não são cumpridas, graças ao grande interesse avassalador e intolerante, aliado ao chamado “jeitinho” brasileiro, que faz com que certos grupos derrubem cabanas, apossando-se de suas terras, e dizimem populações nativas inteiras para implantar seu modo de produção.
Basta observar a situação das tribos indígenas hoje em dia, num mundo cada vez mais globalizado: perderam parte de seus costumes, como suas vestimentas. Para solucionar isso, não basta apenas delimitar terras, pois, como foi dito anteriormente, sua cultura não é respeitada. Além de espaço, eles precisam de proteção: deve existir alguma fiscalização, impedindo a exploração econômica indevida das reservas e garantindo a posse exclusivamente às comunidades indígenas. Entretanto, a Fundação Nacional do Índio (Funai), órgão governamental responsável pela tarefa, está definhando: possui 2.100 funcionários, menos da metade que possuía quando foi fundada, sendo que apenas um terço desse total está atuando nas terras indígenas, e, mesmo assim, questiona-se sua responsabilidade.
Como se não bastasse, não são só os índios que sofrem no Brasil, mas também os negros. Ser negro em nosso país significa ganhar a metade do salário dos brancos, viver cinco anos a menos e ter quase 50% de probabilidade de tornar-se pobre. Sete em cada dez moradores de favela são negros; para cada branco analfabeto, há dois negros que não sabem ler; se chegarem à escola, os negros passarão dois anos a menos estudando e, depois dos 25 anos, apenas um em cada cinco concluirá o curso superior.
O maior motivo para estas informações impressionarem é a existência de uma idéia de que quem sofre com isso são apenas os pobres, mas não se ressalta de que a maioria destes são negros. Assim, desde a abolição da escravidão, com a miscigenação e ausência de conflitos abertos, criou-se o mito de um país sem racismo nem discriminação, onde o negro faz parte da sociedade com a mesma importância que o branco, o que é uma grande mentira.
Essa exclusão gera margens para idéias arcaicas e preconceituosas, ao dizerem, por exemplo, que a justificativa para o número de negros analfabetos ser maior que o de brancos ocorre por incapacidade individual. Na realidade, eles passam por isso por causa das péssimas condições de vida a que foram e são submetidos, como a pobreza e a necessidade dos jovens abandonarem à escola para contribuir com a renda familiar.
Se com a escravidão os negros não tinham liberdade alguma, a situação não mudou muito após sua abolição. Eles deixaram de ser escravos, mas, sem uma educação básica não tiveram condições mínimas para recomeçar a vida. Não houve nenhuma medida de governo na época, como uma ampla reforma agrária, que de fato alterasse a injusta distribuição da riqueza nacional e permitisse à população negra o acesso a uma vida melhor. Na ausência de mão-de-obra escrava, o estado brasileiro não quis investir na melhoria da qualificação profissional dos antigos cativos. Preferiu incentivar em uma ampla migração européia. A partir de então, a discriminação contra os negros andou lado a lado com a fortíssima concentração de renda em nosso país. Logo, a maneira que os menos favorecidos encontraram para sobreviver foi através dos empregos informais, quando, não raro, na entrada ao mundo do crime.
(em breve a parte II)
Postado por Adriano
01.01.07

20:44:26, TERRA_CATEGORIES:
Cotidiano. TERRA_POSTED_BY letrasdespidas
Aí está 2007
Companheiros, leitores e amigos,
Alcançamos 2007 ou foi ele que nos alcançou? Esse ano traz muitas expectativas e mudanças, temperadas por questões:
Política nacional -> a reeleição do Lula e o grande caminho bifurcado à nossa frente: o nosso presidente nos encaminhará, a partir deste ano, para o crescimento ou mergulharemos de cabeça num poço de m****?
Política internacional -> o atrito ideológico entre Hugo Chávez e o George Bush: qual o desfecho desta briga que, apesar da troca de personagens, tem ares históricos?
Economia -> o PIB do Brasil continuará crescendo abaixo da média mundial? As manias governamentais, economicamente falando, se repetirão?
Ecologia -> os projetos anti-efeito estufa e em prol das fontes alternativas de energia aumentarão sua participação na sua devida fatia global?
Pessoais -> os primeiros meses de 2007 definirão se eu farei cursinho ou entrarei na universidade. (risos)
Não importa o que acontecer, o Letras Despidas estará ativo comentando acontecimentos novos, fatos antigos, vícios dos seres humanos, influências da mídia, caminhos da ciência e muitas outras coisas que fazem parte, direta ou indiretamente, da vida de todos nós!
Feliz 2007 a todos! (Por que desejamos um bom ano apenas no começo deste, sendo que as nossas atitudes no decorrer dos meses que definirão, no finalzinho, se o ano foi bom ou ruim?)