Letras Despidas

O blog Letras Despidas foi fundado no dia 8 de julho de 2006 pelos antigos amigos Adriano e Bia. Ambos procuravam discutir sobre vários temas, de arte à política, passando por ciência e filosofia.
TERRA_CREATE4FREE
Calendário
    <  Novembro 2007  >
    S T Q Q S S D
          1 2 3 4
    5 6 7 8 9 10 11
    12 13 14 15 16 17 18
    19 20 21 22 23 24 25
    26 27 28 29 30    
TERRA_ARCHIVES
TERRA_LINKS
TERRA_SYNDICATE
TERRA_HOM_TERRABLOG

05.02.07

TERRA_PERMA_LINK 20:13:11, TERRA_CATEGORIES: Ciência. TERRA_POSTED_BY letrasdespidas

Gaia

No início da década de 70, dois cientistas, James Lovelock e Lynn Margulis, postularam que o planeta Terra tenta manter as condições favoráveis para as espécies que o habitam no decorrer dos anos. Ao entrar em conflito com a teoria da evolução, que diz que os seres se adaptam ao meio ambiente, justamente o oposto da outra, os dois cientistas, em especial James Lovelock, procurou alterar sua hipótese. Posteriormente, ao notar que tanto a Terra quanto os seres vivos evoluem juntos, em um só conjunto, estabeleceu a teoria de Gaia.

Quando esta teoria foi apresentada à comunidade científica, foi rejeitada por muitos pesquisadores. Porém, com o iminente aquecimento global, os cientistas começaram a perceber que essa teoria fazia sentido. O conceito de Gaia envolve o conjunto de fatores bióticos, as espécies, e abióticos, a água, rocha, vento etc. Basicamente, Gaia seria responsável pela manutenção do equilíbrio que beneficiaria todas as espécies que cumprem seu papel direito. Já aquelas espécies que quebram o equilíbrio natural do ambiente, devem ser eliminadas. No caso, essa espécie somos nós, os seres humanos.

Que fique claro que é apenas uma metáfora de Lovelock que a Terra é um organismo vivo. Mas funciona do mesmo jeito. E não que Gaia se vingaria de uma espécie “ruim”, mas fatores como a química do planeta e o clima são muito importantes para que sua população dê certo ou não. E é justamente nesses dois pontos, o clima e a química, que Gaia interfere de maneira mais intensa.

Em janeiro deste ano, comprei e li o livro “A vingança de Gaia”, recente lançamento de James Lovelock. Seus argumentos eram bem consistentes e apenas se utilizavam fatos reais, levantados por órgãos mundiais como a ONU. Lovelock alerta para o aquecimento global mostrando que é pior do que parece. Mas o mais importante do livro é que o cientista inglês discute em grande parte as soluções deste problema que tende a degradar a Terra, ou seja, Gaia.

O autor coloca-se totalmente contra a principal fonte de energia atual, o petróleo, e defende aquelas que todos temem, a energia nuclear. Segundo ele, as tecnologias atuais para retirar energia através da fissão de átomos são bem mais seguras que antigamente. Hoje, dificilmente ocorrerá um acidente catastrófico como ocorreu em Chernobyl, no território da Ucrânia. Há mais de uma década houve a explosão do reator 4 naquela usina nuclear. O acidente aconteceu porque os soviéticos desligaram o sistema de segurança e superaqueceram o reator. As mortes, em números, não foram muitas, mas as seqüelas devido à radioatividade continuam até hoje.

Para mostrar que a usina nuclear não é tão perigosa hoje como parece, Lovelock disse que se precisar, aceita colocar, no quintal da sua casa, uma quantidade de lixo radioativo de um metro cúbico dentro de uma caixa de concreto, mostrando, assim, que não devemos ter tanto medo da energia nuclear. Além do mais, ele usaria o calor do lixo nuclear para aquecer sua casa. Bom, hein?

Postado por Adriano
TERRA_COMMENTS (0)

29.01.07

TERRA_PERMA_LINK 22:53:55, TERRA_CATEGORIES: Ciência. TERRA_POSTED_BY letrasdespidas

Design inteligente

O cientista inglês Charles Darwin elaborou uma das teorias mais famosas conhecidas. Chama-se, como todo mundo sabe, teoria da evolução ou darwinismo. Junto com conhecimentos modernos de genética, foi criado o neodarwinismo, a teoria mais aceita para explicar a evolução das espécies.

Antes de mais nada, a saber: mutações e recombinações nos genes criam alterações nas espécies. Estas modificações são selecionadas pelo meio ambiente. Aquelas que tornam a espécie mais vulnerável, acabam morrendo logo, determinado por questões climáticas, predadores etc. Já as alterações positivas, ou seja, que tornam a espécie mais adaptada às condições de sobrevivência, são responsáveis por perpetuar essa espécie. Dessa maneira que os seres vivos foram se modificando ao longo do tempo.

Portanto, aquela história de que o peixe precisou desenvolver patas para andar sobre a terra é mentira, bem como a não utilização de certo órgão ser responsável pelo sumiço dele. Essas idéias constituem a teoria de outro cientista, o Lamarck, que não é aceito como o Darwin.

Até agora só falei da faceta científica da evolução, mas há também a religiosa. A teoria do criacionismo diz que as espécies foram criadas por uma divindade superior, e não sofreram mudanças ao longo dos tempos. Porém, com tantas evidências que a ciência apresentou, como fósseis, anatomia comparada, estudo do embrião, bioquímica e outras provas, a teoria criacionista foi facilmente batida.

Mas vocês acham que a Igreja desiste fácil? Não, basta olhar para a história para ver como a religião é persistente. A revanche foi sacana. O lado religioso pegou as teorias imbatíveis de Darwin, cujas provas de sua validade eram evidentes, e disse o seguinte: “Ok, os seres de fato evoluem sob os critérios da teoria darwinista, porém, com dois detalhezinhos: os seres vivos ainda foram criados por deus e, essa é nova, foi ele, deus, que guiou a evolução dos seres”.

Em outras palavras, tudo que a ciência afirmou, a Igreja confirmou. Mas, para não ficar por baixo, colocou deus acima de tudo e pronto, fechou negócio. É lógico que muitos fiéis gostaram, pois não negavam deus e aceitavam o que já era aceito pelos estudiosos cientistas. A teoria divina é reforçada quando a ciência ainda não explica certas coisas.

O nome dado a essa “nova” teoria da evolução é design inteligente, fazendo menção ao trabalho artístico de deus em tentar obter a melhor forma de vida para o tipo de ambiente local. Mesmo assim, a teoria neodarwinista ainda é tida como a mais aceita. Para mim, o desing inteligente é um criacionismo disfarçado, apenas para ser digerido pela população. O que vocês acham dessa teoria religiosa?

Postado por Adriano
TERRA_COMMENTS (1)

13.01.07

TERRA_PERMA_LINK 15:19:38, TERRA_CATEGORIES: Ciência. TERRA_POSTED_BY letrasdespidas

O urânio é nosso!

O Brasil possui uma das maiores reservas de urânio do mundo, e vem estudando essa tecnologia de enriquecimento de urânio para a nossa intrigante usina nuclear. O que faz a pesquisa com energia atômica do nosso país ser tão polêmica é a restrição às inspeções técnicas da ONU e a bobagem que as comunidades internacionais andam dizendo, provavelmente para frear a nossa evolução nuclear e nos manter dependente de fontes externas. Se há algo que faz parte da ordem natural dos países subdesenvolvidos industrializados como nós é a dependência da tecnologia dos países ricos.

O urânio encontrado na natureza é uma mistura de isótopos (mesmo número de prótons) desse elemento químico, cujo isótopo mais abundante é o urânio 238, ou U-238, isto é, possui 238 nêutrons. A técnica de enriquecimento de urânio consiste em aumentar a concentração de urânio 235, que existe em pequena quantidade porque é muito instável, decompondo-se facilmente e gerando muita energia. Uma bomba nuclear, por exemplo, necessita de mais 90% de U-235, enquanto na natureza ele é encontrado em concentrações pequenas em torno de 0,7%. Por isso o nome enriquecimento.

Em maio do ano passado, o Brasil inaugurou a sua primeira fábrica de enriquecimento de urânio em Resende (RJ). A partir daí a discussão começou. O fato é que a nossa tecnologia é, em alguns pontos, mais avançada que a dos outros países. A maioria das centrífugas mundiais fica apoiada sobre um eixo central, que vai se desgastando com o tempo, assim os custos com o processo aumentam. No Brasil, as centrífugas ficam levitando sobre um campo magnético, de maneira que o produto final saia mais barato.

O impasse existente ocorre porque o Brasil é signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), inaugurado após a explosão das bombas de Hiroshima e Nagasaki, para evitar conflitos nucleares. Porém, nosso país não aderiu a um protocolo adicional, que permitiria à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) inspecionar nossas usinas sem restrição nenhuma e sem aviso prévio. Com medo de uma espionagem tecnológica, o Brasil não cedeu, pois não existe patente quando o assunto é energia nuclear, então ele não quis revelar o seu segredo industrial.

A partir daí, a comunidade internacional vem dizendo que o Brasil quer fabricar bomba atômica e apresenta um perigo à humanidade. Isso é uma grande besteira, uma paranóia pós-11 de setembro. Na verdade, eles querem roubar a nossa tecnologia. Dizem que estamos fazendo como o Irã, que atua na surdina (tanto é que rompeu com o TNP). Nosso país está cumprindo todas as regras à risca, até permitimos que eles inspecionassem nossas usinas, com a única exceção de verificar as nossas centrífugas, que ficam guardadas dentro de um armário para proteger a propriedade tecnológica. Antes nunca reclamavam disso, mas agora estão se pegando. Disseram até que o Brasil pode produzir 6 bombas atômicas por ano.

Odair Dias Gonçalves, chefe do programa nuclear brasileiro, afirma que a quantidade de enriquecimento de urânio nacional não passa de 5%, suficiente apenas para servir como combustível e gerar energia elétrica. Segundo ele, a idéia de que estamos preparando armas nucleares é ridícula:

“Acho que todos os países tem o direito de investir em defesa. Os EUA, por exemplo, são os que mais investem e desenvolvem armamentos. Acontece que essa não é a vocação do Brasil. Mesmo porque, num mundo em que a guerra é toda baseada em alta tecnologia, não adianta você ter um revolverzinho de brinquedo – é burrice pura”.

Além disso, a energia nuclear é vista como uma alternativa para o combate ao aquecimento global, uma vez que só emite para atmosfera vapor d’água. O problema é o lixo radioativo, mas o seu processamento de maneira a não poluir já é fisicamente conhecido, porém não para a aplicação em larga escala. Assim como o defeito da aviação brasileira apareceu cobrindo outros problemas como a ineficiência do transporte público por parte dos ônibus, o lixo radioativo também serve para esconder o problema das garrafas pet, que provocam uma quantidade de lixo absurdo, muitas vezes abandonado por aí. A vantagem das usinas nucleares é que eles guardam para eles o que produzem.

De qualquer jeito, há os riscos de vazamento e contaminação, entretanto, as pesquisas com segurança se intensificam. O velho caso de Chernobyl, que aumentou o medo pela energia nuclear, torna-se uma realidade mais distante, já que também foi produto de um certo descaso dos operadores.

Além do mais, o Brasil já utilizou muito de seu potencial hidrelétrico, e a usina termelétrica é mal vista hoje em dia por causa da poluição atmosférica que causa chuva ácida e fortalece o efeito estufa. A bioenergia, com o pioneirismo brasileiro do biodiesel, entra no impasse de como arranjar terras para a plantação. Como muitas outras fontes, como a eólica e a solar, são eficazes para pequenas regiões, a energia nuclear é finalmente bem vista, mesmo com todos os tabus existentes.

A atitude do Brasil de barrar os interesses imperialistas é muito plausível, pois é evidente que eles querem manter o controle, a exclusividade, o monopólio sobre essa fonte de energia tão peculiar. Por isso que distorcem tanto. Os EUA, por exemplo, dizem que os cientistas exageram quando falam dos futuros problemas do aquecimento global, ao mesmo tempo em que apimentam as bobeiras sobre o nosso programa nuclear. Eu só espero que o Brasil possa continuar desenvolvendo seu projeto, enriquecendo urânio e diversificando a nossa matriz energética, que já não suporta mais os modelos tradicionais.

Postado por Adriano
TERRA_COMMENTS (2)

20.12.06

TERRA_PERMA_LINK 11:04:44, TERRA_CATEGORIES: Social, Ciência. TERRA_POSTED_BY letrasdespidas

Aborto: discussão interminável

O conflito da permissão à prática do aborto, talvez um dos mais polêmicos da atualidade, atravessa séculos e ainda não se estabeleceu. O seu impasse envolve questões religiosas, éticas, biológicas, sociais etc, talvez por isso seja tão complicado chegar a um consenso. Vou dizendo, antes de tudo, que apesar desse blog ter um aspecto jornalístico, ele não foi feito para ficar informando os leitores, pondo os dois lados opostos e deixando que ele pen-se melhor sozinho. Não, eu não vou ser imparcial, colocarei porque acho que o aborto deve ser permitido.

No caso de estupro e risco de morte à mulher, já é aceito fazer aborto. Mas essa prática deve ser estendida, deixando que os pais escolham interromper a gravidez ou não. Não po-demos esquecer que mesmo com os métodos contraceptivos existe a probabilidade – pe-quenas, mas existe – de falhar. Neste caso, a gravidez indesejada é muito mais cruel, pois modificará de forma brutal a vida dos novos pais, que podem não ter condições para cuidar da criança, e isso gera tantos problemas futuros.

Os fanáticos religiosos podem dizer o que quiser. Podem falar que aborto é crime porque estará impedindo uma alma de se manifestar no mundo terreno, ou que estaremos desobe-decendo a um dos Dez Mandamentos de Deus, que é o “não matarás”. Não importa o que eles disserem, será um falso moralismo. Eles adoram mostrar como nós, seres materialistas que não oramos antes de dormir, somos os antiéticos da humanidade. Mas deixar um bebê nas mãos de pessoas que não têm condição nenhuma de dar uma vida digna, garantindo as condições mínimas de sobrevivência e formação cultural básica, já é demais.

Se mesmo casais pobres que querem ter um filho já suam para dar seu sustento, imagine aqueles que não estão preparados. Daí ocorre noticiais desumanas como vemos na televi-são: mãe que abandona o filho recém-nascido em lata de lixo, ou que deixa boiando em lagoas, e tantos outros fatos que só fazem a gente ter uma certeza: tem que estar disposto e ciente das responsabilidades para criar um filho, ainda mais na nossa sociedade moderna onde filhos são associados a gastos.

Questionar a validade do aborto, tendo em vista o momento exato em que a vida começa, é ser um tanto superficial. Concluir que a vida começa no instante da fecundação, ou quan-do o óvulo, já fecundado, junta-se à parede do útero, ou quando o coração do feto começa a bater, ou quanto se iniciam atividades cerebrais etc, é muito complicado, há diversos pontos de vista a avaliar sobre o início da vida. Numa discussão de tamanha magnitude, deve-se projetar para o plano do real, fora da barriga da mãe e ver que a questão envolve esferas sócio-econômicas que também devem ser levadas em conta e, por isso, só a mãe e o pai podem dizer se querem ou não ter o filho. Não estou falando que o médico deve dizer: “Ah, vocês são pobres? Então me desculpem, vou abortar seu filho”. Não, nada disso. Existem pais que não tem muitas condições mas conseguem educar muito bem o seu filho. Essa questão é tão relativa que por isso deve ficar a critério dos pais.

Recentemente, o jornal A Folha de S. Paulo publicou uma notícia de um caso de anencefa-lia. Essa doença é caracterizada por problemas no cérebro do feto, interrompendo seu de-senvolvimento. No caso da Folha, apresentou uma menina cujo córtex cerebral não foi de-senvolvido. A conseqüência disso: caso o feto se tornasse uma pessoa, ela não seria capaz de pensar nem de sentir, apenas controlaria sua funções vitais básicas, como batimentos cardíacos, respiração etc. O que você faria se soubesse que seu filho nasceria anencéfalo? Eu abortaria tranqüilamente, decidido de que, mesmo deixando de ter um filho, seria a me-lhor escolha, afinal, o que é uma pessoa anencéfala?

Os cientistas achavam que a menina morreria dentro da barriga da sua mãe ou que, se vi-vesse, não duraria algumas horas. As comunidades locais dizem que ocorreu um milagre: a menina já está há mais de 25 dias viva. O nome dele é Marcela de Jesus, em homenagem ao Padre Marcelo Rossi, segundo a mãe dela. Todos estão comemorando e ela virou símbolo de antiaborto. Agora eu pergunto: não seria justamente o contrário? Qual é a glória de ter uma criança sem cérebro, praticamente? Alguém que não pode pensar, sentir, nem fazer nada, o que é então? A menina não terá liberdade nenhuma, viverá eternamente dependente dos cuidados de sua família, não aproveitará o mundo, não criticará os erros, não viverá e pronto! Viver não é só respirar. Se for para ficar em estado vegetativo, qual é a vantagem da vida? Para mim, nenhuma. Se eu fosse anencéfalo, me abortem, por favor!

Como forma de respeito à mãe da menina, os médicos perguntaram se ela queria interrom-per a gravidez, lá pro quinto de mês como gestante. Como a mãe negou, então arque com as conseqüências, isso se a menina viver por muito tempo. Já que acreditou no milagre de Marcela viver quase um mês, então fique acreditando no milagre de surgir um cérebro do nada na cabeça dela.

E depois vem os conversadores querendo insinuar que nós somos imorais? As cartas estão todos à mesa, basta ver qual caminho você prefere. Eu escolhi o caminho da liberdade mesmo tendo que fazer alguns sacrifícios, mas tem quem prefere ficar no ideal retrógrado que enxerga, de maneira limitada, apenas um pedaço da questão: ‘o agora’. Os liberais enxergam ‘o depois’.

Assim como não podemos impor uma decisão tão forte quanto o aborto sobre os pais, não podemos tirar deles essa possibilidade. Proibindo a prática abortiva, aumenta o número de convênios não autorizados, presentes nas clínicas compostas por pessoas não especializa-das. Estas praticam o chamado “aborto caseiro”, que pode ser nocivo à saúde do feto e da gestante. Nascer sem estar planejado ou preparado, com seqüelas, sem cérebro e sem no mínimo os primeiros momentos da vida como ser vivo digno é bem pior do que interromper o desenvolvimento de células. Por isso, não aborte o aborto. Ele estabelece um direito a todos, que não vivemos mais na barriga da mamãe e sabemos como essa vida é difícil.

Postado por Adriano

Obs: você deve ter reparado que há alguns hífens quebrando algumas palavras. É por causa de um erro de formatação, mas tudo bem, dá para entender mesmo assim.
TERRA_COMMENTS (2)

15.11.06

TERRA_PERMA_LINK 21:01:04, TERRA_CATEGORIES: Ciência. TERRA_POSTED_BY letrasdespidas

Patente em animais?

Há alguns anos, especificamente na era industrial, a idéia de patente surgiu com um significado semelhante ao dos direitos autorais. Surgia a necessidade de proteger os direitos comerciais de um indivíduo ou uma empresa que inventasse algo, que desenvolvesse alguma novidade. Isso era justo, forçando quem desejasse utilizar aquele produto a pagar um certo imposto, uma licença denominada royalties. Quem regulava esses direitos é a Organização Mundial do Comércio (OMC), que também é responsável pelas relações de importação e exportação internacionais, além de ouvir as reclamações de países que brigam contra os subsídios agrícolas, por exemplo.

Em suma, a idéia de patente estava veiculada à criação humana. Hoje em dia, o que vemos é uma guerra entre países para registrar tudo o que encontram em seus territórios ou até em terras alheias. Agora, as patentes são sinônimas de etiquetar, marcar, dominar diversos elementos da natureza, como frutas, sementes, folhas, ceras, óleos etc. E como se não bastasse, agora estão permitindo que patenteiem animais! Organismos vivos caindo nas garras ferozes da lógica capitalista mundial.

O Brasil, como muitos sabem, é um país com pouca participação internacional, pouca voz para brigar pela sua soberania, cedendo facilmente para países tradicionalmente imperialistas, como o Reino Unido e os EUA. Então, é de se imaginar que nosso país, com sua enorme e rica floresta Amazônica, saia prejudicado nesse “conflito” global.

Quem elaborou esse novo conceito de patente, citado no primeiro parágrafo, foi a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento que ocorreu em 1992, mais conhecida como Eco 92. Imagine! Órgãos ambientalistas atuando contra o meio ambiente, alimentando aquela sede histórica de exploração que, disfarçado sob a mentalidade da evolução, serviu como combustível à nossa desigualdade homérica.



Alguns dos produtos brasileiros que já tiveram pedido de patente: andiroba, açaí, copaíba e, o caso mais recente, cupuaçu. Este último foi pedido por uma empresa japonesa para utilizar as gorduras contidas nas sementes, úteis para a fabricação de cosméticos. Para a surpresa de todos, o Brasil conseguiu vencer (!), impedindo que nosso cupuaçu seja patenteado. O motivo: organizações não-governamentais reconheceram que a fruta típica da Amazônia pertencia aos índios e comunidades tradicionais da região.

Se antes era permitido patentear, além das plantas, microorganismos modificados geneticamente, os transgênicos, a OMC estendeu as patentes para todos os organismos vivos. Porém, fica a critério de cada país aceitar ou não. O Brasil, sabendo que isso daria muita dor de cabeça, não permitiu. O argumento é que muitas substâncias com as características esperadas pelas multinacionais podem ser obtidas em outras regiões do mundo, sem gerar nenhum benefício para nós. Mesmo que tal organismo não possua nenhuma utilidade econômica para o governo ou para as comunidades regionais, deve continuar isolado das patentes.

Em geral, o Brasil está tomando o rumo certo. É injusto um país obter o direito sobre plantas e animais de outro país, exceto com a concessão deste. A OMC é mais um daqueles órgãos agregados à filosofia lucrativa que move as empresas. A idéia da vantagem à qualquer preço, do “quem chegou primeiro, leva”, é totalmente maléfica. Ao contrário do que se pensa, etiquetar seres vivos é quase como um seqüestro, uma invasão. Mais uma das armas do neoliberalismo, que visa à menor participação do estado nas decisões econômicas, e isso fica muito claro quando um órgão internacional – portanto, dito multilateral – tem a força acima de “qualquer” governo. O tal do liberalismo tira a liberdade do estado, promove as decisões a determinadas organizações, que, pasmem, atendem a determinados grupos.

Assim, num mundo socialmente canibalesco, depositamos nossas esperanças naqueles grupos nacionais que insistem em preservar o produto brasileiro, longe de países interesseiros. Uma dessas organizações é o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), que busca conciliar o regime brasileiro de patentes com o respeito aos direitos dos povos tradicionais, coisa que os demais países do globo, de olho na nossa Grande Floresta, não fazem, pois não iriam se preocupar com o Brasil, e sim com o que é brasileiro, não é mesmo?

Postado por Adriano

Obs: a foto acima encontrei na Internet. Achei interessante publicá-la pois o cadeado lembra a cabeça de um animal, no caso, um urso, fazendo uma apologia ao tema.
TERRA_COMMENTS (2)
TERRA_MAIN_NEXT_PAGE