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22:20:08, categorias: Artes. criado por letrasdespidas"Só o que me exalta ainda é a única palavra, liberdade. Eu a considero apropriada para manter, indefinidamente, o velho fanatismo humano. Atende, sem dúvida, à minha única aspiração legítima". André Breton, Manifesto Surrealista (1924).
O que é "surrealismo" ? Surrealismo é um movimento, na literatura, artes plásticas, fotografia e cinema. É a liberação da mente, é a arte do inconsciente e subconsciente, dos nossos sonhos. Por isso que foi tão afetada pelos estudos do Freud, que estudava justamente isso, o inconsciente, sonhos etc...Muitas pessoas pensam no Dalí quando se fala em surrealismo. Ele não foi o único, nem o primeiro surrealista, mas foi um grande pintor, cineasta e fotógrafo. Mais conhecido como pintor. Embora ele tenha começado como um cubista, ter influências dos Mestres da Renascença, experimentado com dadaísmo, ele é mais reconhecido (com toda razão) pelo seu surrealismo.
Nos termos de Breton,o surrealismo trata de 'resolver a contradição até agora vigente entre sonho e realidade pela criação de uma realidade absoluta, uma supra-realidade'. O surrealismo aparece como uma alternativa do cubismo, e dadaísmo, que surgiram após a 1ª Guerra Mundial, com o intuito de criticar a guerra, a burguesia, o capitalismo, a forma de vida e o "falso raciocínio" os surrealistas fazem uso de variados canais de expressão - revistas, manifestos, exposições etc. - mobilizando diferentes modalidades artísticas.
As colagens e assemblages constituem mais uma expressão caraterística da produção surrealista, ancorada na idéia de acaso e de escolha aleatória, princípio central de criação já para os dadaístas. A célebre frase de Lautrémont é tomada como inspiração forte: 'belo como o encontro casual entre uma máquina de costura e um guarda-chuva numa mesa de dissecção', isso é, objetos desconexos, numa junção totalmente sem sentido, daí vai a idéia do "não real", dos impulsos, criatividade, liberdade, imaginação e incoerência.
A arte surrealista é contra a repressão dos instintos (Freud), e contra a dominação burguesa (Marx). É considerado o movimento mais forte e controverso do período entre guerras, tendo se espalhado pelo mundo inteiro e influenciado várias gerações. Alguns dos surrealisas são Hans Arp, Joan Miró, Kurt Schwitters, Marcel Duchamp, Max Ernst, Salvador Dali, André Masson, René Magritte...
Esse é um quadro do Dalí
André Breton, desde o começo queria afinar a arte com política. Em alguns lugares os surrealistas se importavam mais com a arte, em outros com a política. Mas os surrealistas aderiram ao comunismo e anarquismo (mais ao comunismo). E em 1925 eles já saiu da revista surrealista a adesão do Movimento ao Comunismo. A divisão entre surrealistas e dadaístas é caracterizada também como a divisão entre comunistas e anarquistas, sendo os surrealistas comunistas.
Como o surrealismo era composto por tantas pessoas, tão diferentes e com personalidades diferentes, o surrealismo "se dividiu" um pouco, de um lado os artistas mais próximos ao dadaístas e eram mais niilistas, contrários a todos os conceitos de arte tradicional (exemplificada por Marcel Duchamp). Do outro lado os artistas que ainda estavam sendo guiados por valores estéticos (que pode ser representada, por exemplo, por Salvador Dali e Magritte).
"SURREALISMO, s.m. Automatismo psíquico puro pelo qual se propõe exprimir, seja verbalmente, seja por escrito, seja de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento. Ditado do pensamento, na ausência de todo controle exercido pela razão, fora de toda preocupação estética ou moral."(André Breton - Manifesto Surrealista (1924))
Este movimento é a maior acusação levantada contra a cisão, historicamente provocada, entre Razão e Paixão no Ocidente.
Em 1938 Leon Trotski e André Breton se encontraram na Cidade do México, esse encontro resultou no documento "Por uma Arte Revolucionaria Independente", cuja versão final foi elaborada por Breton e Diego Rivera, com a aquiescência de Trotski. O documento é grande, como o Manifesto Surrealista, mas é muito bom...Vou colocar um trecho:
"11) Do que ficou dito decorre claramente que ao defender a liberdade de criação, não pretendemos absolutamente justificar o indiferentismo político e longe está de nosso pensamento querer ressuscitar uma arte dita "pura" que de ordinário serve aos objetivos mais do que impuros da reação. Não, nós temos um conceito muito elevado da função da arte para negar sua influência sobre o destino da sociedade. Consideramos que a tarefa suprema da arte em nossa época é participar consciente e ativamente da preparação da revolução. No entanto, o artista só pode servir à luta emancipadora quando está compenetrado subjetivamente de seu conteúdo social e individual, quando faz passar por seus nervos o sentido e o drama dessa luta e quando procura livremente dar uma encarnação artística a seu mundo interior."
Quadro do Magritte
Postado por : Bia
Hoje fui assistir à peça "Pessoa de Caeiro". A montagem vista nesta noite de terça teria como objetivo transmitir ao público a essência do heterônimo de Fernando Pessoa, passar para a platéia , utilizando o recurso teatral ,toda a magnificência do mundo deste ilustre Heterônimo considerado, pelo próprio Pessoa, como o grande gênio de sua poesia.
A peça, dirigida e interpretada pelo ator Jefferson Brito, tentou passar um pouco de cada um dos mais famosos Heterônimos de Fernando Pessoa. Entre estes, o engenheiro Álvaro de Campos, amargurado e pessimista, descreve em sua poesia as maquinas e a agitação da cidade. Sua obra é um desabafo febril de um futurista inquieto.
O Médico Ricardo Reis, mais erudito de todos, é um conservador que insistia na defesa dos valores tradicionais da literatura e da política. Através do neoclassicismo Ricardo mostra-se atraído pela natureza, sendo um fiel discípulo de Caeiro.
Alberto Caeiro, o gênio de Fernando Pessoa, é a personificação da completa naturalidade, em todos os sentidos. Sua aversão ao pensamento científico, à metafísica e ao simbolismo fazem dele um homem totalmente voltado aos elementos que o cercam. Ele não diferencia o ser humano da pedra, o rio da árvore, o pássaro da folha. Segundo o camponês seu realismo sensorial o faz tender ao desejo de não pensar e ao desejo de não desejar. A poesia de Caeiro é a mais simples de todas, tanto em relação ao estilo quanto ao vocabulário, refletindo assim seu modo de vida rústico e sua falta de ilustração.
Sozinha, a personalidade de Caeiro é profunda o suficiente para uma análise de mais de uma hora de peça como é também a dos outros dois heterônimos. A peça vista hoje não passa de um apanhado extremamente superficial das características básicas de cada um dos três heterônimos, focalizando trechos de seus principais poemas. A produção sonora e visual enriquecem a montagem, mas a sua falta de conteúdo e de focalização no heterônimo de Caeiro fazem a peça ser apenas um show de interpretação do ator baseado nos heterônimos do poeta modernista.
Cada uma destas personalidades criadas por Fernando Pessoa apresenta peculiaridades psicológicas diversas que merecem analise profunda e detalhada. Ao propor um trabalho baseado na obra de um célebre poeta outrora comparado à Camões, que este seja um bom trabalho para não desmerecer a genialidade do grande poeta lusitano.
“Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem por que ama, nem o que é amar...” (Alberto Caeiro)
Postado por Mariana
19:19:51, categorias: Artes. criado por letrasdespidas
15:55:00, categorias: Artes. criado por letrasdespidas