Letras Despidas

O blog Letras Despidas foi fundado no dia 8 de julho de 2006 pelos antigos amigos Adriano e Bia. Ambos procuravam discutir sobre vários temas, de arte à política, passando por ciência e filosofia.
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Terra Blog

03.02.07

Permalink 01:17:52, categorias: Cinema. criado por letrasdespidas

Babel

Como não tenho postado no blog há um bom tempo, e estou sem nenhuma inspiração resolvi escrever sobre um filme que assisti hoje, Babel, do mesmo diretor de 21 gramas e Amores Perros, o mexicano Alejandro González Iñárritu  fez um bom trabalho com esse filme. Amores Perros é no México, 21 gramas nos E.U.A e Babel no mundo todo! Não é bem assim é claro, Babel foi filmado no Marrocos, Japão, E.U.A e México. Que filme internacional hein, foi uma das razões que eu quis assistir, tirando que já gostava dos outros filmes dele (Amores Perros e 21 gramas).

É um filme bem diferente do 21 e A.P, por que nesses dois o tema era mais um grupo de pessoas em especial, e um país, Babel é do mundo todo, é uma crítica social muito interessante e sutil. Vários temas interessantes, um filme que você sai e pode ficar horas conversando com seu amigo sobre os assuntos que ele traz, e mesmo se o filme não tivesse atuações boas, fotografia, direção de arte e tudo mais boa (o que teve) eu gostaria dele por ser um filme que te faz pensar e refletir, afinal, cinema não é só entreternimento e ponto, cinema pode ser várias coisas, e nesse caso é.

Se é melhor que 21 gramas ou Amores Perros já não posso discutir, depende mais da pessoa, por que ele é igualmente bom, atuações tão boas quanto os outros dois, fotografia tão boa quanto os dois, e um scrip tão interessante quanto os dois. Porém vale dizer que Babel foi um filme muito mais complicado de ser feito, viagens, linguas etc...O que para mim não faz muita diferença, gosto de filmes aparentemente simples, como Pequena Miss Sunshine, foi filmado metade da parte numa van, o que foi complicado mas não tem comparação com Babel.

Mesmo sendo um filme com uma cronologia diferente (típico dele) e com vários personagens o espectador é capaz de entender a personalidade de cada um, o da japonesa principalmente, pois o foco das cenas dela era ela mesmo,como uma pessoa com problemas e tudo mais, uns acham desnecessário ela aparecer pelada nas cenas, mas eu achei crucial para o filme, para a entendermos.

 

Estreiando Brad Pitt, Cate Blanchett que também está em Notas Sobre um Escândalo da Fox Seachlight - mesma produtora da Pequena miss Sunshine, Gael García Bernal que fez Amores Perros, Kôji Yakusho que até então só tinha feito filmes japoneses, Adriana Barraza que também participou de Amores Perros, entre outros (o filme tem muitos atores coadjuvantes).

Acho que muitos filmes que estão aparecendo por aí, lógicamente Babel incluído (já que estou escrevendo sobre ele), mostram o mundo moderno e todas suas complexidades, Encontros e Desencontros por exemplo, já é antiguinho, mas mesmo assim fala sobre a comunicação e falta de comunicação entre as pessoas, como você pode estar entre milhões de pessoas e se sentir só, a falta de comunicação é muito abordada em Babel, por isso citei Encontros e Desecontros - LOST IN TRANSLATION (Perdidos na tradução). Na parte do Japão mostra milhões de pessoas, prédios, e mesmo assim uma carência enorme, um pouco do problema moderno.

O filme tem 142 minutos, 2 horas e 22 minutos, bem grande, isso é ruim para umas pessoas, elas acharam que o objetivo do filme só foi atingido nos últimos 30 minutos, ou que poderia ser feito em uma hora, que é chato e tedioso etc...Para mim não foi, eu paguei 8 dólares, eu quero ficar dez horas se for preciso rs, como espectadora, não achei cansativo, porém, se alguém está pensando em assistir tem que levar isso em consideração. Não é o "tipo" de filme de muita gente, e para esse tipo de gente é horrivel ficar mais de duas horas o assistindo , mas é inegavel o fato dele ser bem dirigido e bem escrito.

Resumindo uma crítica bem estranha (falei que não estou conseguindo escrever), é um filme bom, com muito potencial, definitivamente não é um filme que você assiste e "pronto", ele traz muitos temas bons de se pensar e conversar.

Porém é longo e confuso para muita gente. Além disso muitas cenas estavam embaçadas em excesso e teve uns close-ups que eram meio chatos de se ver, mas foram bem poucos, nada que faça o filme ser ruim.

Prêmios e nominações:

BAFTA Awards (British Academy of Film and Television Arts Awards):

Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, Melhor Fotografia, Melhor Edição e Melhor Som.

BFCA (Broadcast Film Critics Association Awards)

Best Acting Ensemble (não sei a tradução, é atuação em grupo), Melhor Trilha Sonora, Melhor filme, Melhor Som,Melhor Atriz Coadjuvante (Rinco Kikuchi) , (Adriana Barraza) e Melhor Roteiro

Cannes Film Festival :

Melhor diretor, Prize of the Ecumenical Jury, Technical Grand Prize - ganhou, e foi nominado para a Palm D'or (palma de ouro)

Golden Globes :

Melhor Filme - Drama - ganhou, foi indicado: Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Brad Pitt), Melhor Atriz Coadjuvante (Rinko Kikuchi e Adriana Barraza) e Melhor Roteiro.

Oscars :

Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz Coadjuvante (Adriana Barraza e Rinko Kinkuchi), Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora e Melhor Edição.

Tem mais, mas não são tão importantes, como Chicago Film Critics Association Awards etc...

 

Postado por : Bia

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03.11.06

Permalink 21:12:56, categorias: Cinema. criado por letrasdespidas

Realidade Nua e Crua

Se existe um diretor de filme brasileiro que consegue criar ficção com ares de documentário, este é Sérgio Bianchi. Já falei sobre ele anteriormente, mas como assisti a mais um dos seus excelentes filmes, vim falar novamente sobre esse grande revelador das relações humanas.

Sérgio Bianchi simplesmente mostra a realidade nua e crua, a realidade que ninguém quer ver. Ele pega todos os males de uma sociedade e une em uma grande teia de acontecimentos. Não é um diretor pessimista, ele apenas mostra a essência de tudo: o que está por trás do sorriso de uma criança carente, por trás de uma negociação, por trás de um favor. Vou comentar sobre dois de seus filmes que assisti:

Cronicamente Inviável

O filme foi produzido em 2000. Considero-o como um dos melhores filmes que já vi. Os personagens, ou até estereótipos, vão atuando sobre uma espécie de hegemonia natural. São quatro pessoas de classe média ou alta que sempre jantam no mesmo restaurante. Ali, comentam sobre as injustiças sociais, mas a única coisa que fazem é contribuir a elas. No decorrer do filme, vão se dando mal, um por um. Há mais dois personagens importantes: um sulista que vai para São Paulo a procura de emprego, mas percebe a grande sacanagem que há na capital paulista; e um professor universitário que viaja pelo país anotando toda a desigualdade que vê para colocar no livro que está escrevendo. De início, parece o melhor personagem, aquele que todos admiram por sua intelectualidade, porém, posteriormente descobre-se que é um traficante de órgãos nas horas vagas.



Oscilando entre a ordem e a desordem, Cronicamente Inviável mostra como o Brasil está imerso na bagunça, na destruição, na mentira, na hipocrisia. Os próprios desfavorecidos vão se acabando entre si. Aqueles que pretendem mudar a realidade também não conseguem êxito, pois não têm forças para lutar contra o enorme sistema elitista, a cruel dinâmica sócio-econômica. É um filme fantástico que eu recomendo para ver, refletir e até copiar uns trechos como eu fiz e publiquei em julho deste ano nesse blog.

Quanto vale ou é por quilo?

Um pouco mais recente que o anterior, este é de 2005. O jeitão realista é o mesmo, mas com outro foco. Aqui, Sérgio Bianchi faz um paralelo entre a sociedade escravocrata e a atual, mostrando que mesmo com muitos anos que passaram, o Brasil não mudou: continua tratando gente como mercadoria. Todas as relações sociais envolvem dinheiro, mesmo que implicitamente, o que se faz, espera-se de alguma forma, como um empréstimo com juros. O núcleo da história gira em torno de vários personagens: donos de ONGs, políticos, donas de casa e suas amigas etc. O filme mostra a corrupção e falência das instituições que vendem solidariedade, ou seja, que arrecadam dinheiro para ajudar pobres. Na verdade, grande parte do dinheiro fica com eles, sobrando uma pedacinho para os pobres com um único fim, a autopromoção.



Ao mesmo que mostra essa história das ONGs, faz diversas referências a escravidão, mostrando que ainda somos uma sociedade arcaica, apenas interessada nos lucros acima de tudo! Outro filme bem interessante que vale a pena assistir, ajuda a entender (e muito) os relacionamentos sociais. Após assistir a esse filme, tenho certeza que vai enxergar seus amigos com outros olhos...

Para finalizar, uma foto do Sérgio Bianchi. Bons filmes!



Postado por Adriano
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23.09.06

Permalink 01:50:42, categorias: Cinema. criado por letrasdespidas

Paradise Now

Olá cinéfilos... Vou comentar sobre outro filme bom.
"Paradise Now" dirigido por Hany Abu-Assad, gravado na Palestina, em árabe (acreditem...As vezes não é tão obvio).Vencedor do "Blue angel Award-Best european film","Prêmio da Anistia Internacional" e foi selecionado no New York film festival,Telluride film festival e Toronto International film festival.
Paradise Now mostra um outro ângulo do oriente médio, um outro angulo dos terroristas. Ele mostra dois amigos de infância Said e Khaled,que são chamados para uma missão terrorista em Tel-Aviv.Jamal (um líder do grupo)os chama dizendo que a missão será no próximo dia. Então Said vai para casa sabendo que será seu último dia de vida. Porém na borda algo acontece de errado e eles se separam.Com a bomba na barriga deles,e sem poder tirar,por que a bomba dispara , Khaled vai a procura do seu amigo.Khaled achou Jamal e a bomba foi tirada do seu corpo,mas não do corpo do Said.
Porém o fime não é sobre isso,não é um filminho de ação mostrando o Khaled tentando achar o Said.Mas sim a razão deles,o por que eles estão fazendo isso,e como eles encaram a morte,como os outros encaram isso.Eles se denominam "mártires",mas a familia não acredita nisso.
O pai do Said também foi um homem bomba, e morreu quando ele tinha 10 anos,Said culpa os terroristas por isso,mas mesmo assim se junta a eles...E da todas as razões a um líder terrorista.
Said não esta certo se é o que eles realmente devem fazer,mas Khaled parece ter certeza.Embora os dois estão com olhares melancólicos e apaticos,eles continuam a missão.
A cidade dos dois amigos Nablas,é pobre e sem nenhuma estrutura,enquanto isso Tel Aviv (onde os israelenses estão) é moderno e cheio de prédios.Muito mais rico,você vê a diferença quando eles já ultrapassaram a borda e estão lá.
Eles estão prontos para atacar,mas Khaled fala que não quer mais,que não vai adiantar nada ,que eles vão morrer e matar e não vai ter adiantado nada.Said diz que não,que eles precisam lutar para liberdade, que precisa-se de sacrificios para tirar a ocupação.
Antes Khaled tinha dito que ao menos eles iriam para o paraíso.E Suha (uma colega deles)discutiu com ele,e disse que "o paraíso está apenas na sua cabeça",e ele respondeu "prefiro ter o paraíso na minha cabeça do que viver nesse inferno".E mesmo depois de ter falado isso,de ter defendido a ação dele (de ser homem-bomba),ele acaba desistindo e pedindo para voltar,com o Said.
Na hora de voltar o Said enfia Khaled no carro e sai correndo,para a missão.
A interpretação do Khaled é ótima nessa hora,como em todas,mas essa é especial.Está muito verdadeira.
Apenas o olhar dos atores,e o jogo de cores do diretor...Mesmo sem os diálogos você entendeu tudo que era pra se entender daquele momento.
E tudo acaba com uma luz branca...A morte do Said,a bomba explodindo...O paraíso...agora...

Recomendo esse filme por muitas razões,uma é que ele é muito bonito e comovente,outra é que ele te faz pensar e refletir sobre muitas coisas,a terceira razão é que ele é bem feito tecnicamente (bem montado), é filosófico,e outra razão óbvia é que o filme mostra o oriente médio em outra perspectiva.

Infelizmente esse filme não é muito acessível...Ele não chegou a ir nos cinemas normais no Brasil,só em festivais.Não sei se da para alugar fácilmente,ou comprar...Eu comprei mas não moro no Brasil.E minha irmã me disse que ela não o viu justamente porque é difícil de encontrar.

Mas se caso você acha-lo numa locadora...Não perque tempo...Alugue!

Bons filmes

Postado por : Bia

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07.09.06

Permalink 15:22:07, categorias: Cinema. criado por letrasdespidas

Trois couleurs - rouge -

Olá,desculpe a demora pra postar ...

Quem gosta de cinema,cinema europeu principalmente vai saber do que e de quem eu estou escrevendo.A fraternidade é vermelha é um dos melhores filmes que eu já vi,e não é só pra mim ... Pra muitos.

Mas é claro,tenho que mencionar os outros,afinal,esse filme faz parte de uma triologia (trois couleurs =três cores em fr.).Primeiro tem A liberdade é azul (Bleu) e depois A igualdade é branca (Blanc).Do maravilhoso diretor Kieslowski.

Nesse filme,"a fraternindade é vermelha" Kieslowski trabalha muito com o destino,e coincidências.Valentine (Irene Jacob),conhece um ex-juiz (Jean-Louis Trintignant).Ela atropelou o cachorro dele,e foi lá para devolve-lo após ter  levado no veterinário,na casa dele (do ex-juiz) ela descobre um segredo dele e daí começa a surgir a amizade.

No filme,tem um outro juiz.Que pode tanto ser um outro personagem ,como o Jean-Louis mais novo.E mostra o que teria acontecido se ele tivesse encontrado a Valentine quando era mais novo.

A " A Fraternidade é vermelha" nos mostra a conexão com o mundo que nós não vemos,as coisas que perdemos por causa disso.Quem nós poderiamos ter conhecido se tivéssemos feito algo diferente,pego outro caminho...

Auguste ( o juiz mais novo) e Valentine moram perto um do outro,mas nunca se conhecem,eles são "perfeitos" um para o outro,cruzam na rua,nos lugares,mas nunca se conhecem de verdade.Até que em um acidente eles finalmente se conhecem.Foi apenas o acaso?É o destino ?

Quem asssite o filme fica com várias perguntas...

Muita gente não entende por que o filme é sobre a fraternidade.Mas só vendo a amizade entre o juiz e a Valentine já da pra saber.A bondade da Valentine,a "fraternidade" se mostra em relação aos estranhos da rua,ela os ajudando,em relação ao irmão dela,a mãe e ao juiz.

Valentine é muito diferente dos outros personagens,os quais são egoístas e não fazem "bondades" etc...

Porcausa que o juiz e a Valentine não estão "juntos" apenas por atração,quero dizer que eles não são um casal,isso torna muito melhor o filme,por que eles estão juntos?Por que ela gosta dele ?Mesmo ele fazendo tudo que ela acha errado ?É aí que a fraternidade entra...

Enquanto a maioria das pessoas relaciona vermelho com sangue e morte,Kieslowski quer usar essa cor como otimismo,fraternidade,conexão entre duas pessoas,além do sexo e do amor.

Esse filme mostra que sexo não é a única coisa que você precisa do sexo oposto,e a Valentine e o juiz encontram tudo que eles precisam em um relacionamento um com o outro,um amigo o qual eles podem ser completamente honestos,pode ser menos "divertido" mas é muito mais valioso por que é raro.

Kieslowki não fez que nem a maioria,não fez uma história que tinha dois personagens com um relacionamento impossivel mas depois passaram pelos obstaculos e tiveram um final feliz.Ele mostrou a vida de verdade.As coisas que acontecem todos os dias,e nós não percebemos,os relacionamento que temos mas não damos valor.

Enfim..."A fraternidade é vermelha" é um ótimo filme e eu recomendo a todos !!

 

Postado por Bia

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21.07.06

Permalink 15:52:18, categorias: Cinema. criado por letrasdespidas

Inviável por todos os sentidos

Olá a todos,

Desculpe a quem leu o post "Inviável por todos os sentidos" que havia anteriormente. O outro era apenas uma propaganda do filme Cronicamente Inviável. Resolvi fazer outro post com alguns trechos que achei interessante ao assistir novamente.

Antes de mais nada, quero dizer que o filme é muito bom, principalmente quanto ao seu texto, que tem horas que surpreende. É um filme forte, pois não mede esforços para apresentar cenas de miséria, preconceito, empancamentos e outros problemas do nosso Brasil, porém é importante notar e se preocupar com as diversas realidades de hoje em dia, por isso vale a pena ver o filme, cujo diretor é Sérgio Bianchi.



Há um professor que viaja pelo Brasil, de início está na Bahia, em um show de uma banda, com uma quantidade imensa de gente dançando e se divertindo. Ele faz uma reflexão muito legal que vou colocar adiante:

"Uma perfeita forma de dominação autoritária: a felicidade. Mas é interessante como ainda se insiste em criticar a Bahia, é claro que é só inveja da genialidade do projeto baiano. Enquanto o resto do mundo se esforça para dominar as massas (...), eles só fazem o suficiente para gerar felicidade: mantêm todo mundo pobre, coloca um som para tocar e pronto".

Esse primeiro pedaço é muito bom, com um toque de humor sarcástico, mas o professor não pára por aí, diz mais uma outra coisa muito boa:

"Se todo mundo prefere ficar feliz, por que a gente não desiste de vez da bandeira da 'Ordem e Progresso' e assume definitivamente essa ficção barata da felicidade moribunda, podre, mijada? Essa imagem aprimorada da brasilidade enlatada que é boa pra todo mundo".

Gostaram? Eu acho excelente, mas essa ainda não é a parte que eu mais gostei do filme. Esta ocorre quando um sulista trabalhador está em um ônibus lotado e pensa (há alguns termos de 'baixo nível', hesitei em colocar aqui, mas decidi que irei pôr para não perder o impacto que causa a quem assiste):

"Não dá pra ter uma vida decente nesse aperto (...), porque se você é obrigado a ficar nesse enrosco três horas por dia para ir e voltar do trabalho, então não dá para acreditar que sua vida é decente. (...) Mas pode ser que o mais importante seja essa sensação coletiva de sofrimento, como se o importante fosse ser vítima a qualquer preço. O interessante é que todo mundo se fode junto, mas na hora de reclamar a coisa fica individual".

Esse é a primeira metade, o melhor é o que vem agora:

"Já que vou meu foder mais cedo ou mais tarde, prefiro fazer isso por conta própria, porque não tenho a intenção nenhuma de ser vítima... pelo menos, se eu fodo tudo por conta própria, o patrão se fode junto, o que é bom, porque ele é o único que tem alguma coisa a perder. Mas parece que ninguém gosta muito dessa idéia, o pessoal gosta mesmo é de se foder na mão dos outros".

Bom, espero que todos queiram assistir, vale muito a pena. Há outros trechos interessantes, mas vou parando por aqui.

Até mais! E bom filme!

Postado por Adriano


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