Letras Despidas

O blog Letras Despidas foi fundado no dia 8 de julho de 2006 pelos antigos amigos Adriano e Bia. Ambos procuravam discutir sobre vários temas, de arte à política, passando por ciência e filosofia.
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16.10.06

TERRA_PERMA_LINK 12:29:16, TERRA_CATEGORIES: Mídia, Social. TERRA_POSTED_BY letrasdespidas

Liberdade ou libertinagem ?

Primeiramente queria dizer que o título eu "roubei" do Adriano, no post da Capricho ele fala "É liberdade não libertinagem", e eu gostei, e achei que seria um bom titulo para esse post.

Em 1893 as mulheres ganham o direito de voto na Nova Zelândia, foi o primeiro país. Em 1934 o Brasil faz o mesmo. Entre 1940 e 1990 a força do trabalho feminino passou de 2,8 milhões para 22,8 milhões, mas elas não eram advogadas ou médicas ou nada desse tipo não, não mesmo, secretárias, e todos esses empreguinhos de baixa qualificação profissional, para não dizer de m******, gosto de eufemismos as vezes. Sabe por que o trabalho aumentou tanto? O salário é claro, era muito menor do que o dos homens.
As mulheres casadas "são incapazes, relativamente, a certos atos ou à maneira de o exercer". Assim afirmava o Código civil Brasileiro de 1917, colocando a mulher casada no mesmo nível do menor. E essa proposição absurda resistiu a todas as transformações ocorridas na sociedade brasileira durante quase cinqüenta anos, só sendo revogada em 1962.

Demorou tanto para as mulheres conquistarem seu espaço não só no Brasil, mas no mundo. Mas não foi só a condição das mulheres que melhorou, o que era antigamente imoral, hoje é normal. E isso é bom ou ruim ?Oscar Wilde diria que é bom, afinal foi apedrejado por ser gay.Hoje em dia as pessoas nem se importam mais, principalmente os adolescentes, e até bonito ser bi...E isso é bom ou ruim ?Nós, não só as mulheres, mas as pessoas no geral, conseguiram uma liberdade que seria monstruosa antigamente, as "roupas de banho" diminuíram, as sais diminuíram, a idade que as meninas perdem a virgindade diminuiu, a gravidez precoce aumentou, a liberdade de expressão aumentou, os programas de T.V já mostram cenas de sexo...Muita coisa mudou "de lá pra cá".Mas se de um lado isso é bom, de outro é ruim. Será que as coisas não estão ficando em excesso ?As meninas começam a ter "liberdade" para tomar a iniciativa (legal), daí "ficar" se torna normal, depois perder a virgindade aos 18 é ridículo... Se antes uma "balada" era uma festinha em casa na qual você conversava e andava de mão dadas com um menino(a)hoje é o "puts-puts" e muita putaria. Se antes as meninas ficavam com vergonha de comprar camisinha nas farmácias, hoje elas compram um montão e ainda ficam mostrando na carteira (o que eu acho babaca quando os meninos fazem também).

Nós ficamos tão tontos com a liberdade que transformamos em libertinagem? Os adolescentes não agem de uma forma anormal, ficar com 10 não é estranho, quando vemos alguns programas na T.V, andar com uma saia "não muito respeitosa" para não falar minúscula não é estranho quando do lado da nossa casa temos uma modelo da SKOL seminua. Existem tantos exemplos... Antigamente as meninas beijavam outras meninas para serem rebeldes, hoje é para ser popular. Antigamente um menino ficava com duas numa noite e era garanhão, hoje se ele é virgem aos 16 é ridiculo. Daqui a pouco as barbies virão com uma casinha escrito "sex shop", e o Ken, todo bonitão, vai trazer ao invés de flores rosas, uma camisinha aromatizada.

E isso é bom ou ruim? Será que sou no final moralista?
Temos sempre que "quebrar tabus"? O que ainda é de uma forma vulgar hoje, amanhã será moda! É ótimo não estar preso nas regras da sociedade, e poder ficar com quantos você quiser, mas será que não estamos exagerando? Como a sociedade enxerga uma menina de 16 que não namora? Agora sou eu que estou presa nas "regras" da sociedade. E ela diz "seja magra, tenha bunda e peito grande, tenha cabelo liso, vire um objeto sexual". Ligue a T.V, na maioria dos canais o assunto é sexo, sexo, sexo, sexo! Evoluímos mesmo ?Não me parece. Tudo bem o assunto ser sexo, mas SEMPRE? Depois de assistir 1 hora de MTV eu estou pronta para agarrar o primeiro que me aparecer mesmo.

Depois de uma hora de MTV eu nem quero mais saber de estudar, eu quero é ser modelo! Nem preciso falar da Capricho, que o Adri já falou, estou até pasma em ver que aquelas meninas conseguem ler uma revista inteira!Uma vez tinha um caderninho que vinha de brinde com a revista, era para você colocar os meninos que você ficou durante o ano, e tinha acho que opção de 8 por mês...Dois por semana. Nossa, se a média é dois por semana, eu sou um alien.

Como educar as crianças de hoje? Proibindo de ver T.V, não é a resposta, proibindo de sair a noite? Não é resposta...Acho que é conversar muito, e muito mesmo... Para que saibam desfrutar da liberdade, sem se tornar devassos, libertinos. Ou um bando de idiotas!

Acho que essa é a resposta, a sociedade não pode ser moralista, mas não pode glamourizar a baixaria que vemos e escutamos todos os dias...

Essa foto eu editei no photoshop, ela mostra uma capricho, a mesma do post do Adri (você se acha gorda?) para as meninas pararem de comer ou vomitarem tudo o que comem, tem o logo da mtv, e é claro, a propaganda da skol...

Postado por: Bia

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15.10.06

TERRA_PERMA_LINK 21:45:37, TERRA_CATEGORIES: Cotidiano. TERRA_POSTED_BY letrasdespidas

O Portão

Ontem, sábado (15/10), aconteceu uma coisa muito interessante comigo que é motivo para um texto neste blog. Estava eu e meu primo na casa da minha tia. Ele estava podando o jasmim dela, enquanto eu varria o que caía no jardim. De repente, chega em frente de casa dois representantes da religião conhecida como Testemunha de Jeová. Como meu primo estava em cima da escada, escondido entre as folhas do jasmim, e eu estava no chão, os dois testemunhos se direcionaram a mim.

Testemunho: Você poderia dar um minuto da sua atenção a nós?
Eu: Não sou o responsável pela casa.
Testemunho: Não tem problema, pode ser você mesmo.

Aproximei-me do portão da casa e, do lado de dentro, ouvia o que o testemunho me dizia do lado de fora. Eu conheço muito pouco, ou quase nada, dessa religião. Apenas fui entendendo-a através das idéias que o testemunho me passava. Ele lia alguns trechos da Bíblia e falava certas que eu não concordava. Disse, por exemplo, que só existe um Deus verdadeiro e que todos os outros, não importa a religião, são falsos, achei esta afirmação algo muito excludente. Ele estava ignorando todas as crenças.

Além disso, leu um trecho da Bíblia em que Jesus Cristo falava sobre os problemas que vivemos atualmente, para tentar me convencer de uma certa profetização das figuras bíblicas. Falou-me que a solução está na solidariedade, no coletivo, no amor e em todas as coisas belas com que sonhamos. Fez também uma propaganda de um revista periódica sobre essa religião e me fez uma perguntas.

Testemunho: Você estaria interessado em ler esta revista?
Eu: Não.
Testemunho: Você possui um religião?
Eu: Não.
Testemunho: Mas você acredita em um criador?
Eu: Não.
Testemunho: Nossa! Eu sempre passo por essa rua e você foi o primeiro que me disse isso. No que você acredita?
Eu: Hum... na evolução, na ciência.

Senti que o testemunho não gostou muito. Me falou um pouco sobre a ciência, mas não lembro de nada. Após isso:

Testemunho: Por que você acredita na ciência?

Quando eu ia responder, minha tia me chamou para eu pegar um coisa para ela. É lógico que era mentira, pois ela sabe como é chato ficar discutindo com esses caras, tanto é que nem os atende mais. Eu me despedi e ele respondeu que depois voltaria para a gente discutir mais.

Quando entrei em casa, conversei com a minha tia sobre isso e ela disse que eles são muitos preconceituosos, pois tentam impor a sua religião sem respeitar as opiniões alheias. O pior é que o testemunho voltou, olhei escondido pela janela e vi que eles estavam mesmo dispostos a tentar me convencer. Apenas gritei, sem aparecer na janela:

VIVA A CIÊNCIA!

E eles foram embora, deixando apenas uma revista na caixa de correio. Será que é uma indireta, pois a revista chama-se "Despertai!"?

Agora que estou aqui no blog posso explicar melhor. Não é que eu acredite na ciência, não trato esta como uma crença, uma religião mesmo, do qual engolimos os fatos simplesmente por eles serem, como posso dizer, científicos. Considero a ciência uma ferramenta de estudo do mundo e das pessoas, de entendimento dos fenômenos e compreensão sólida e consistente do que nos rodeia.

Desde pequeno crescemos tentando entender o mundo, tanto é que passamos por uma fase marcada por questionamentos. Não vou ignorar a filosofia que os meus pais ensinarem, que meus professores me ensinaram e que a vida me ensinou. Para falar a verdade, odeio confrontar ciência com religião, mas fui obrigado a faze-lo. E se tem uma coisa que gera muita discussão desse tipo é a Teoria da Evolução, elaborada por Charles Darwin: justamente o que eu disse na conversa acima.

Um cientista não vai acreditar no criacionismo, assim como um religioso não vai abandonar os seus dogmas por causa dos estudos científicos. A ciência e a religião devem estar separadas, nunca uma deve ser utilizada para desmentir a outra, ou seja, deve existir um portão entre elas, assim como havia entre eu e o testemunho. A revista Superinteressante, certa vez, publicou uma matéria na qual utilizavam a ciência para provar se Deus existia ou não. A conclusão da matéria, é lógico, terminava com uma incógnita. Portanto, o melhor mesmo é não perder tempo com esse confronto, que nunca vai chegar a lugar nenhum. Da mesma forma que a velha briga entre Exatas e Humanas (vide post "Exatas X Humanas").

Prefiro a ciência, mas não sou contra a religião, apenas quero estar livre de pessoas que vêm tentar me provar de que a religião dela é a única fiel ao seu deus. E mesmo preferindo a ciência, há muitas coisas nela que ainda não entendo e talvez nunca entenda, assim como ocorre comigo em relação a religião. Em ambas há polêmicas: enquanto em uma discute-se se a Teoria da Relatividade é verdadeira mesmo, na outra a discussão fica se Jesus Crista era casado com Maria Madalena, como propõe Dan Brown no seu best-seller Código da Vinci.

Você quer saber mesmo no que eu acredito? Eu acredito no livre arbítrio, na liberdade de eu poder escolher entre o que quero acreditar ou não. Se eu quisesse uma religião, já teria corrido atrás faz tempo e não esperaria ninguém bater na minha porta querendo me convencer. O problema, muitas vezes, não está nas instituições, nas religiões, nas ciências, mas nas pessoas que as compõem. As pessoas que manipulam, que distorcem certa idéia, e não a idéia em si, que apenas está aí, disponível para que acreditem ou não nela.

A metáfora do portão é perfeita para definir essas diferenças. De um lado, a ciência; do outro, a religião; por trás desse cenário, a liberdade de qualquer um passar de um lado para o outro.

Postado por Adriano
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