14.09.06

19:11:32, TERRA_CATEGORIES:
Mídia. TERRA_POSTED_BY letrasdespidas
"Quem quer dinheiro?!"
Olá leitores,
Eu nunca havia assistido ao novo programa do Sílvio Santos, que se chama Topa Ou Não Topa. Ao assistir, fiquei impressionado com a minha própria reação! Todo aquele "auê" que eles fazem sobre o dinheiro, as maletas que os contêm e o sonho de vida do participante me seduziram. Se no início eu estava indiferente, assistindo como se fosse um programa normal, depois fiquei torcendo, me contorcendo e analisando se era melhor aceitar a proposta do banqueiro ou não.
Desde pequeno cresci vendo o Sílvio de noite. Lembro do "Topa tudo por dinheiro", "Namoro ou Amizade", "Show do Milhão" e, é óbvio, do resultado de hora em hora da Telesena. Cresci sonhando em mergulhar em todo aquele mar de notas de papel que eu nunca havia colocado a mão. Tudo parecia tão fácil, não é mesmo? Eram aviõezinhos de R$ 50 voando para lá, bolinha premiada para cá. Com toda essa influência silviana que tive, era impossível não me esbaldar quando assistisse ao novo programa dele.
O mais engraçado é que os programas dele carregam sempre o mesmo contraste: Sílvio Santos brilhando como uma figura de riqueza ao lado de uma platéia extremamente simples, diria até simplória, que não tem nada a fazer, nada a falar, nada a perder e, por isso, aplaude o retrato central da prosperidade. Depois de dar tanto dinheiro, carros, computadores, casas no valor de R$ 40 mil e umas risadas estranhas, sai como símbolo de humildade, de solidariedade.
E vão dizer o quê? O dinheiro que ele oferece pode virar investimento nas mãos de uns, mas na maioria das vezes vira esmola. O que uma pessoa sem instrução nenhuma faria com 500 mil na mão? "Vou pagar minhas dívidas, ajudar minha mãe e comprar uma casa". Passa um tempinho e tudo volta ao normal.
É uma felicidade momentânea, que atua tanto no ganhador do prêmio quanto no telespectador: eu fico pensando em toda aquela grana, pondero no que faria se a tivesse, desejo tê-la mais do que tudo, minha vida resume-se a dinheiro, fico triste por não ser milhonário, começo a ter tendências suicidas, QUANDO DE REPENTE! "O programa está acabando, até mais com mais Topa Ou Não Topa. Oêêê!”, a partir daí, desligo a TV, me levanto do sofá e volto a ser o Adriano de antes, como se nada tivesse acontecido...
Os programas dele já viraram até um ciclo: de início a audiência é alta, logo as pessoas se cansam do formato (querem ver outro sofrimento, outro palco, outra forma do dinheiro ser dado) e então é criado um novo. O único programa constante é o que distribui os prêmios do Baú da Felicidade, pois este vive da fé do povo, que está sempre se renovando. “Minha filha, se a gente não tem dinheiro, nem comida e nem casa, vamos ter fé em Deus”. No caso, Deus chama-se Sílvio Santos.
Postado por Adriano