Só o tempo passa, pois os tempos não
Oi!
“Não tenho muito tempo, daqui a pouco vou ter que sair!”; “Se der, mais tarde eu ligo para você, ok?”; “Agora estou indo, manda um abraço pro pessoal”.
Quem nunca teve que dizer frases como essas? Hoje em dia não é muito raro estarmos apressados, atrasados ou algo do tipo.
Tempo. Tempo. Tempo! Maldita palavra que, apesar de ser pronunciada por nós mesmos, é evidente que não podemos controlá-la!
Muitos especialistas discutem as causas da vida acelerada, segundo eles o tempo começou a “passar mais rápido” com a
Revolução Industrial. A inserção de máquinas e motores fez com as entregas, antes através dos “burros de carga” e navios (ambos demoravam muito tempo), ficassem mais rápidas. Um exemplo disso é o trem, do qual o homem obteve maior proveito nas negociações, dessa vez mais práticas e eficazes. Além disso, não podemos esquecer das máquinas nas indústrias, que trabalhavam mais rápido do que o homem, não precisavam de descanso (exceto uns consertos de vez em quando) e, pasmem, não reclamavam do salário no fim do mês.
De fato, a Revolução Industrial foi muito além de modificar as indústrias em si, fazendo uma mudança permanente na maneira do homem viver: foi um grande passo para a evolução e tecnologia. Estas duas palavras lembram bastante velocidade. Dizem que tudo isso acelerou a vida do homem, agora controlado pelo relógio, e fez com que ele tentasse se igualar à rapidez das máquinas, porém, se seguirmos está linha de raciocínio estaremos perdidos! Se nos igualar a uma máquina já um desafio, imagine se tentarmos nos igualar à grande tecnologia do momento: a
Internet!
A qualquer momento posso entrar num site de venda
on-line e comprar vários produtos, tendo a certeza de que amanhã eles estarão na porta da minha casa. Sistema eficaz, impossível de não se elogiar. Essa praticidade nos bitolou! Se o produto não chega na data prometida (1 dia útil para a Grande São Paulo), você liga para todos do departamento criticando até a mãe do entregador, sendo que há décadas, nossos antecedentes esperavam semanas para receber uma carta. Quantas outras praticidades existem que visam a rapidez? A começar pelo
Fast-food,
Speedy e o sistema de banda-larga, a idéia do “Mandou, chegou” do Sedex etc.
Os efeitos dessa vida rápida são, entre outros, a pressa e a ansiedade. Essas duas conseqüências doentias podem ser facilmente identificadas no trânsito: queremos sempre chegar ao destino o mais rápido possível, porém temos os congestionamentos e os semáforos que testam nossa paciência. A sensação de atraso é muito clara, veja só como queremos ficar atualizados, tecnologicamente falando. Quantos trocam de celular tantas vezes por outro com uns detalhes a mais, às vezes desnecessários? Há pessoas que têm máquinas fotográficas, telefones fixos e móveis, calculadoras, calendários, Internet, máquinas filmadoras... se já possuem tudo isso, é necessário um celular com todas essas funções? Não vou discutir caso a caso, é apenas uma hipótese.
Algo muito comum hoje em dia é fazer refeições assistindo televisão. Por mais inocente que isso possa parecer, é um dos exemplos da ânsia de querer fazer mais coisas ao mesmo tempo. Com companhia, a televisão prejudica essas relações, além de que é meio incômodo comer na sala, tomando cuidado para o arroz não cair no tapete. Enfim, a pressa causa essa mistura de ações, com a intenção de executá-las no menor tempo, que causa a redução dos pequenos prazeres. Agora, almoçar já é deixado de lado, pois junto a isso misturam-se outras coisas. Imagine você entrando na piscina em um dia quente: seria muito prazeroso, certo? Mas como você está atrasado na matemática, encosta na borda e fica fazendo exercícios da apostila. Falando sério: que prazer a piscina te daria se você ficasse lá dentro estudando, não por ser matemática, mas simplesmente por ser mais alguma coisa e não só a piscina em si, entenderam?
Em geral, o que quis dizer aqui é: parece que os dias estão curtos, pois não há tempo longo o suficiente para fazermos tudo que planejamos. Ou então nem planejamos fazer muitas coisas, mas, é lógico, o tempo tem que ser menor até das menores coisas. Pois se fazemos poucas coisas em um dia e nos sobra tempo, então a consciência pesa por pensarmos que não fizemos nada. Vai ver até gostamos de viver sobre pressão, com o tic-tac nas nossas cabeças, já que são tantas coisas que temos para controlar que precisamos de um auxílio. No caso: o relógio, que está sempre no nosso braço, ou melhor, o nosso braço está sempre no relógio. O tempo passa, anda, corre, acelera... mas a gente não segue no mesmo ritmo.
Se o tempo não pára nunca, então quem tem que parar somos nós. E dá? Se tem alguém travando os ponteiros de um lado do mundo, do outro tem alguém dando corda. Enquanto uma mão tenta executar tarefas sem pensar no tempo, a outra estará com sua unhas sendo roídas pelos dentes. Só com terapia para viver devagar, se der certo. O mundo é rápido e isso faz com que sejamos também. Aliás, o mundo continua no mesmo ritmo: os dias têm o mesmo tempo, as horas também, os minutos também. Nós é que temos a sensação da velocidade. Esses tempos não mudam, só o tempo que vai mudando, mudando, mudando... mudou tanto que tenho que ir senão me atraso! Até mais!
Postado por
Adriano