29.08.06

22:23:01, TERRA_CATEGORIES:
Social. TERRA_POSTED_BY letrasdespidas
Ensino público está na privada
Olá leitores,
Hoje resolvi falar sobre educação, a base de tudo! Qualquer país que deseja se desenvolver, deve investir em educação, pois é impossível você crescer nos setores como tecnologia e saúde se não tiver bons profissionais, afinal, nenhum país sobrevive de empregos informais. Claro que temos que ter trabalhadores lá na lavoura de soja, estes nem precisam de uma formação especializada, mas o ensino mínimo, que pelo menos traga uma conscientização das coisas básicas, como lavar a mão após usar o banheiro, é obrigatório!
Apesar do número de crianças dentro da sala de aula ter aumentado bastante, diminuindo a taxa de analfabetismo, o Brasil ainda peca pela qualidade. Muitos jovens que terminam o ensino fundamental não sabem fazer conta efetuando as quatro operações e, embora saibam ler, não entendem o que lêem. São os analfabetos funcionais. Se o estudante mal sabe ler, imagine só escrevendo: são as famosas Pérolas que todos conhecemos.
Tudo isso que eu disse se aplica tanto para o ensino público quanto para o privado, mas principalmente para o primeiro. Há escolas particulares de excelente nível, que preparam os alunos para boas universidades, mas há algumas muito ruins. Já a maioria das escolas públicas... pelo menos na Grande São Paulo é impossível de se encontrar uma decente. No Nordeste, como por exemplo no Ceará, os professores se uniram para um ensino de alta qualidade. Mesmo sendo público, a preparação que os alunos fizeram foi suficiente para obterem as melhores colocações em muitas olimpíadas nacionais. Vencendo até de nós, paulistas, tão egocêntricos quando o assunto é desenvolvimento.
São obrigatórios 8 anos de estudo, segundo a Constituição de 1988, porém a realidade é outra. Pouco mais da metade dos estudantes completa essa escolaridade básica, o restante abandona os estudos. Por que fazem isso? Os principais motivos dessa evasão são as dificuldades socioeconômicas e a falta de vagas, além da falta de motivação. Outros problemas que influenciam são: trabalho infantil, violência, discriminação racial e social, dificuldades de aprendizagem e repetência. Esta última é uma das responsáveis pela distorção série-idade, quando o estudante está mais de um ano atrasado em relação ao normal para a idade dele.
Lembra do post anterior, o qual falei sobre o ENEM? Então, esse exame notificou que 38% dos alunos do 3º colegial estão nos níveis "crítico" ou "muito crítico" de leitura. Quase 70% concluiu o ensino médio sem as habilidades esperadas em matemática. Se você acha esses resultados ruins, é por que ainda não sabe o que vem a seguir. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) aplicou um prova, em 2004, para 40 países. Foram avaliados a capacidade de leitura e interpretação, matemática e conhecimento em ciências. O resultado vai a seguir:
A nossa melhor colocação foi em interpretação de textos. Eba! Ficamos em 37º lugar... imagine o resto. Em ciências: penúltimo. Em matemáticas (precisa dizer): último lugar!
Já falei sobre a ensino fundamental e o médio. Agora falta o ensino superior. Bom, nem é necessário dizer que as faculdades estão, em grande parte, ocupadas por alunos da rede privada. Principalmente as universidades públicas, onde a concorrência é maior. Temos ótimas universidades no país, como a USP, Unicamp, Unesp e as federais (todas estas citadas são públicas), além de ótimas particulares, como a Puc, Mackenzie e a Santa Casa. Porém, há um enorme contingente de faculdadezinhas "entrega-diploma", como uma Fajop da vida. Ou que tal uma Fiofó (Faculdades Integradas de Odontologia e Filosofia de Osasco), segundo meu professor de matemática.
Diante da dificuldade de ingressar na faculdade, como muitos estudantes de escola públicas têm de encarar, foi criado um sistema que visa ampliar o acesso: o sistema de cotas. Não vou entrar em detalhes, pois essa discussão já são outros quinhentos. Apenas digo que não sou muito favorável. O sistema de cotas destinaria uma porcentagem das vagas das universidades públicas para estudantes vindos da rede pública, sendo que dessa porcentagem, uma parte seria para negros e índios.
E agora? Para a melhorar a educação, as soluções não são simples, nem rápidas e nem baratas. Vou citar um trecho do livro "O Cidadão de Papel", do jornalista Gilberto Dimenstein que, além de escrever para o jornal Folha de S. Paulo, possui uma ONG chamada "Cidade Escola Aprendiz":
"Seria injusto culpar somente as escolas ou os professores. Muitos deles são heróis que sobrevivem a um massacre diário. Diante desses resultados, há uma ilusão de que a saída viria de dentro da escola. Nunca virá. A saída está do lado de fora".
Ele afirma que a escola só cumprirá seu papel se houver ampla integração com a comunidade, compensando a defasagem cultural dos alunos. Isso significa que, além de diretores motivados, professores preparados e currículos com significado na vida do estudante, a escola deve administrar trilhas educativas pelos teatros, museus, bibliotecas e afins. Parte das aulas seria dada fora da escola e o professor sempre deveria fazer conexão da aula com a realidade, para a matéria ter significado.
Há muitas outras coisas que ele propõe para fazer uma revolução na educação, como o maior envolvimento das famílias, afinal, educar não é apenas jogar o filho na escola e pronto. É participar, ajudar, cobrar, encaminhar etc.
Só sei que a melhoria da educação é urgente, pois com a base fraca, o Brasil terá dificuldade para desenvolver-se por completo. Apenas um bom profissional faz um bom trabalho, é disso que precisamos. Seria essencial também se as famílias (inclusive as de alta classe social) educassem a ética, algo esquecido hoje em dia. Sem a educação, teremos a incompetência; sem a ética, temos uma briga de individualistas. Tudo isso, somado com a falta de informação mínima (como a consciência de prevenir uma gravidez indesejada), será perfeito para dar a descarga em tudo aquilo que está boiando na privada da tragédia, como o ensino público.
Postado por Adriano