Letras Despidas

O blog Letras Despidas foi fundado no dia 8 de julho de 2006 pelos antigos amigos Adriano e Bia. Ambos procuravam discutir sobre vários temas, de arte à política, passando por ciência e filosofia.
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21.08.06

TERRA_PERMA_LINK 20:11:49, TERRA_CATEGORIES: Blog. TERRA_POSTED_BY letrasdespidas

Um a menos no blog...

Olá leitores despidos (no bom sentido, pô),

Infelizmente, venho informar que nossa companheira Glê desistiu de escrever no blog. Eu a entendo. Como já disse, estudamos juntos e sabemos que está puxado o colégio, ficando difícil não só para ela, mas para todos nós postarmos com regularidade aqui no blog.

No fim do ano tem vestibular e as pressões são grandes, ainda mais para a Glê que se interessa por áreas que envolvem Medicina, por sinal as mais concorridas.

Só vim para informar isso. Obrigado pelo post que você nos concebeu, Glê, ficará guardado aqui, pelo menos como uma participação especial: seu nome já faz parte, mesmo que um pouquinho, do Letras Despidas.

Abraço a todos.

Postado por Adriano
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O homem tropeça na mesma pedra

Olá a todos os leitores,

É incrível ver como o homem, durante toda a sua evolução, cometeu diversas vezes os mesmos equívocos. Dizem que errar é bom porque aprendemos com os erros. Isso é verdade, o homem sabe o que a poluição está causando, sabe o que o desmatamento pode causar; sabe de tudo que está fazendo e suas conseqüências! Mas ao mesmo tempo não se modifica, não aplica o seu aprendizado, é como se estivesse tropeçando na mesma pedra, sabendo que está ali, no mesmo lugar.

Atualmente, assistimos a uma grande evolução da China, que "em 30 anos será a maior potência econômica mundial". Aparentemente eu achava isso legal: ver como um país pode se desenvolver tanto em tão pouco tempo. Porém, ao assistir um documentário na minha aula de geografia e me informar mais sobre o assunto, descobri a quantidade de coisas que a China teve que fazer para se adaptar ao seu desenvolvimento: derrubar patrimônios históricos (destruindo a identidade de séculos), aumentar o número de ruas (causando uma poluição visual e até sonora, com os automóveis em tráfego), ampliar suas indústrias (e conseqüentemente seus impactos ambientais); paralelamente a tudo isso, muitos crescem em detrimento de outros, aumentando a desigualdade social; ou será que todos são beneficiados pelo desenvolvimento? Muito pelo contrário, esse desenvolvimento vem para poucos. Só para ter uma noção: o PIB per capita da China é menor que o do Brasil, no entanto, sua população é beeem maior!

Por trás de toda e qualquer evolução, há algum sacrifício, alguma forma de pagamento, alguma destruição. Isso ocorre porque em determinados setores que o homem procura desenvolver, ainda não foi descoberta uma maneira saudável de evoluir. Mas será que há uma maneira saudável de evoluir em todos os setores? Para ampliar a agropecuária, temos que passar por cima dos ambientes naturais. Para melhorar o desempenho de uma máquina, temos que colocar mais combustível, este, por sua vez, aumenta os danos ao meio ambiente.

O petróleo é um tema muito discutido, por não ser um recurso renovável, aumentando suas chances de esgotamento. As previsões não são muito favoráveis quanto a duração dele, porém existe a falsa esperança de que encontrarão novos poços de extração. E mesmo que encontrem, está na hora de pensar em outra fonte de energia, veja só o impacto que o petróleo causa! Na hora de sua retirada, há o perigo dos vazamentos, que matam muitos peixes e aves; na hora de serem utilizados seus derivados, como a gasolina, os resultados das reações de combustão geram muitas substâncias nocivas a nós e ao equilíbrio natural do planeta. Não posso negar que muitos se preocupam com fontes alternativas, mas até agora os investimentos nestas são muitos baixos, sendo que há uma infinidade de opções para serem pensadas e aplicados da melhor forma para cada região do mundo: temos a eólica, solar, de marés, biodiesel, geotérmica e muitas outras.

Não sou aquele protecionista radical, que gostaria de abandonar todas as cidades e andar nu em algum lugar isolado do mundo, se ainda existir. Sei que tem coisas que não tem jeito de não destruir, graças à evolução do homem. Por isso defendo as reservas naturais e parques ecológicos, talvez eles consigam guardar o que ainda resta e protegê-lo para amenizar os danos humanos. Mas é que além da ganância da evolução, há ainda a ignorância do homem, que deveria pensar nas futuras conseqüências dos seus atos antes de praticá-los. O que observamos até os dias de hoje é que o homem só começa a tomar providências quando percebe os resultados das suas ações, sendo que isso tudo deveria ser pensado antes, colocando em práticas políticas que já construam algo de maneira com que o impacto seja menor logo de início.

A Amazônia é a maior prova disso. Quando pensavam na interiorização do Brasil, estimularam os novos “bandeirantes” a irem para o interior de qualquer maneira. Deu no que deu! Abusaram tanto que a Amazônia não tem como ser a bela mata exuberante de antes: já está em processo de degradação irreversível. Agora, alguns lutam para tentar retardar a sua morte, enquanto outros continuam retirando madeira ilegalmente, traficando animais... se antes de estimular a interiorização, já tivessem pensando em maneiras de poder controlar a quantidade de migrantes e de práticas que se instalaram lá, com uma fiscalização rigorosa e intolerância a qualquer “espertinho” que começasse a sacanear a tudo e todos, talvez poderíamos estar com uma Amazônia bem melhor, mais conservada e usada com ponderação e de um jeito saudável, praticando o desenvolvimento sustentável.

Se houvessem uma centena de florestas amazônicas pelo mundo, todas estariam tão ruins quanto a única existente, já que o homem sabe que está fazendo tudo errado, sabe que vai dar tudo errado e erra de novo ao não praticar o que aprende com o erro. Por isso que digo que ele tropeça na mesma pedra. A China está brilhando, mas isso agora, eu quero ver só daqui a alguns anos as manchetes: “Número de emigrantes aumentam na China por causa da grande quantidade de gases poluentes que intoxicam crianças recém-nascidas”, “China entra em guerra com outros países para conseguir mais fontes de energia”, “Atentados aumentam graças à fome que assola enorme parcela da população”, “A falta de água e saneamento mata um a cada 3 minutos”.

E não é só a China, muitos procuram alcançar a evolução de maneira mais rápida, mais eficiente. Dizem que pensam nos seus impactos, mas parece que não. Basta enxergar a que ponto chegamos em qualquer área que você escolher observar. Ai de mim que ainda sou jovem! Terei bastante tempo pela frente para enxergar e dar risada chorando (não de felicidade, mas de tristeza) das quedas do homem.Até agora, o homem tropeça naquela pedra, mas consegue se levantar, talvez tenha um dia em que ele não conseguirá ter mais forças para agüentar a queda. E este dia não deve estar muito distante.

Postado por Adriano

OBS: o tropeçar do homem na mesma pedra, neste texto, está relacionado à destruição causada por ele, e não a todos os aspectos. Por exemplo, em design, o homem aprende com os erros e tenta sempre formular algo melhor. Não fiz essa ressalva para não diminuir o impacto do texto, por isso coloquei como observação, evitando generalizações.
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