Letras Despidas

O blog Letras Despidas foi fundado no dia 8 de julho de 2006 pelos antigos amigos Adriano e Bia. Ambos procuravam discutir sobre vários temas, de arte à política, passando por ciência e filosofia.
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11.08.06

TERRA_PERMA_LINK 22:37:20, TERRA_CATEGORIES: Mídia. TERRA_POSTED_BY letrasdespidas

Compra. Vende. Troca.

Olá caros leitores,

Um dos meus assuntos prediletos é mídia. Não posso iniciar um texto que, se não me cuidar, começo a falar de mídia. Sempre! Estou falando de aborto, coloco alguma Rede Globo no meio. Estou falando de Adolf Hitler, aparece um Estadão. Foi até por esse gosto especial pelo desgosto da mídia, que abri a categoria "Mídia" ao lado direito de vocês. Os textos poderiam muito bem estar colocados na categoria "Cotidiano". Mas não! Para não haver superlotação, a mídia tem uma categoria só para ela.

Essa tendência de falar de mídia existe por causa da grande influência que ela exerce sobre todos nós. É ela que nos diz que roupa usar, que música ouvir, que expressões dizer... já notaram o jogo dela na sociedade? Compra uma imagem, idolatrando-a, colocando no topo de tudo, aparecendo em todos os canais, até que por persistência a tal coisa vira celebridade. Depois, fabrica produtos dos mais variados tipos: chaveiros, camisetas, bonés, jogos de computador, filmes e outros. Quando a demanda cai, ou seja, quando as pessoas já se saturaram daquele ícone, a mídia ataca pelo plano B: troca o ídolo e recomeça o processo. Veja os exemplos:

- Música: as rádios tocam exageradamente uma música, influenciando as pessoas a gostarem do cantor, irem aos show e comprarem seus CD's. Algumas músicas que já passaram por isso: "Behind Blue Eyes", hoje não agüento mais essa música; "To Nem Aí", era só falar essa expressão que alguém começava a cantar o refrão; "I Miss You", nem me fale. Atualmente temos as músicas do "Quando Deus te desenhou" e "Se ela dança, eu danço".

- Expressões: havia uma época em que todos imitavam o Pit Bicha. Houve também quando cantavam direto "Senta, eu sei que senta!". Já passaram pelo “É verrrdade”. Há pouco tempo passamos pela fase do "Pedaaala Robinho. Qual será a próxima expressão da boca do povo? Façam suas apostas!

- Brincadeiras: quando eu era pequeno, era viciado em Tazo. Comprava muito salgadinho da Elma Chips para disputar os Tazo's com os colegas. Já foi mania os peões modificados do Bey Blade, as cartas de Magic, Pokemon, o Gameboy, as cartas de Yu-Gi-Oh, os bonecos dos Cavaleiros do Zodíaco...

Viram só a quantidade de ícones e produtos que já despejaram sobre nós? Sem contar as celebridades que ora são idolatradas, ora criticadas. Quando o Ronaldo fazia gols, era o "fenômeno". Quando passou a contribuir menos: virou o gordo, fora de forma. Depois, obtendo um prêmio de jogador que mais fez gols em Copa, voltou a ser bem falado. Quer mais? Quando o Brasil perdeu a atual Copa, virou de novo alvo de críticas. Coitado do Ronaldo, que já passou de "fenômeno" à gordo, de carinhosamente Ronaldinho a bonequinho de borracha da Coca-Cola.

Em cima dessa ânsia de querer ver mais e mais o seu ídolo no auge, que as empresas se aproveitam da boa imagem da celebridade para transformá-lo em símbolo de propagandas. É só observar nos comerciais de TV. Antes de Copa o banco Santander-Banespa fez uma publicidade caríssima usando os jogadores de futebol. O banco, segundo textos da Internet,  teve um gasto imenso, que poderia ser investido em melhorias, mas imaginando que iriam atrair novos clientes, fizeram o bendito marketing. Hahaha, o resultado não foi muito bom: não estavam conseguindo alcançar o número de novas contas esperadas antes mesmo da Copa começar, imagine depois, que o Brasil voltou sem o troféu! Bem feito!

E assim a mídia vai indo, reciclando as celebridades, selecionando-as assim como as cozinheiras fazem na hora de escolher os grãos de feijão: sempre os mais bonitos ficam, pois são os que farão o melhor almoço. E esse "bonito" que citei não limita-se apenas a beleza externa (veja o caso do ET & Rodolfo), mas as vantagens que determinada pessoa, ou objeto, ou até pessoa-objeto, trarão para o mercado deles.

Os mais incapacitados somem rapidamente. É como a Teoria da Seleção Natural do cientista Charles Darwin: os mais adaptados permanecem. E são estes que fazem um sucesso estrondoso, como é o caso da Tiazinha, e depois nunca mais se ouvem falar neles. Já os bons ficam, como o Chico Buarque que está aí há décadas. Quer uma dica? Tenha os seus ídolos e defenda-os como se fossem parte da sua personalidade, assim você não ficará preocupado se ele sumir por uns tempos, saiba que é apenas o jogo da mídia, em breve seu ídolo voltará a ser falado.

Postado por Adriano
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